Candidatos usam atributos religiosos para ganhar apoios
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domingo, 20 de outubro de 2002
Marcos Espíndola<BR>Reportagem Local 
O sincretismo religioso é um tempero marcante nestas eleições. Tanto que os católicos confessos Alvaro Dias (PDT) e Roberto Requião (PMDB) não abrem mão dos seus ''atributos religiosos'' para arrebanhar apoios na disputa ao Palácio Iguaçu, principalmente num setor emergente na política: os evangélicos. Eles já respondem por quase 18% da população parananense, com 1,7 milhão de adeptos e, dada à sua organização, conseguiram ampliar de um para três o número de representantes na Câmara dos Deputados.
Na Assembléia Legislativa, conforme levantamento informal realizado pela Folha entre lideranças política evangélicas, a ''bancada da Bíblia'' reduziu de oito para quatro representantes.
Na disputa presidencial, o presbiteriano Anthony Garotinho (PSB) não foi para o segundo turno, mas o seu espólio político no meio evangélico tornou-se alvo da disputa entre os católicos José Serra (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Siva (PT). Serra, por exemplo, anunciou com grande destaque neste segundo turno a adesão das duas Assembléias de Deus, as maiores do chamado segmento pentecostal no país. O PT também não ficou atrás, pois tem como seu vice o senador mineiro José Alencar, do PL, braço político da Igreja Universal do Reino de Deus.
Para o cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco, Robinson Cavalcante, no que diz respeito à disputa pelo governo paranaense, os dois concorrentes tem de levar em conta que aspectos religiosos e ideológicos dos evangélicos. ''Muito embora os evangélicos têm interesses regionais e profissionais próprios'', ressalta Cavalcante, que é também é bispo anglicano. Não é para menos. Comparada com a média nacional (15% da população brasileira), a presença protestante no Paraná é maior e cresceu, segundo o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 4,9% em relação a 1991.
Estima-se também que na Câmara dos Deputados a representação evangélica na próxima legislatura aumentará de 48 para 58 deputados. ''As forças dominantes do país durante muito tempo barraram a contribuição dos segmentos religiosos no meio político, principalmente os evangélicos'', adverte o presidente do PL paranaense, Bernardino Barreto de Oliveira, o Pastor Oliveira, da Igreja Universal do Reino de Deus e recém eleito deputado federal. ''E o movimento na política cresce com a entrada de várias candidaturas, até porque nós (evangélicos) forçamos isso'', ressalta Oliveira, responsável no Estado por nada menos que um rebanho de 130 mil fiéis praticantes, 700 pastores e 250 unidades da Igreja Universal.
A tendência uma participação mais direta na política também encontra posicionamentos divergentes no meio protestante. Segundo Cavalcante, as igrejas ditas históricas, como a Anglicana, Luterana, Metodista e Batista, adotam um comportamento mais comedido não lançando candidatos ou firmando apoio oficial. Mas elas orientam seus fiéis a participarem do processo eleitoral e político dentro de um princípio pluripartidário. Já as chamadas penteconstais, como as assembléias de Deus, e as neo-pentecostais a exemplo a Universal do Reino de Deus , têm por tradição lançar candidatos a cargos legislativos e executivos.
''Gostaríamos de ser ouvidos pelos governantes e poder colaborar, pois a igreja evangélica exerce um forte papel na ajuda as comunidades de baixa renda'', explica o deputado estadual pelo PSC, pastor Fernando Guimarães, e representante do Conselho de Ministros Evangélicos do Estado do Paraná (Comep), entidade que congrega 50 igrejas protestantes de médio porte no Estado.


