Candidatos no PR buscam vice que não atrapalhe
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sábado, 01 de junho de 2002
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba Não são só os presidenciáveis que têm problemas para escolher um vice adequado. Os principais pré-candidatos a governador do Estado também estão empenhados em busca de um nome que, se não acrescentar muito, pelo menos não atrapalhe. O cuidado na escolha é grande. Ninguém quer preocupações e arrependimentos no futuro.
É praticamente consenso entre os pré-candidatos postos que o candidato a vice não precisa de densidade eleitoral. Sua função, avaliam os articuladores das chapas, não está em puxar votos. Como principal condição apontada, está a reputação. Os vices não podem ser alvos fáceis de denúncias, sob pena de colocar em risco a chapa.
Outra preocupação está na afinidade política. Partidos tradicionalmente adversários podem, eventualmente, caminhar juntos durante determinadas eleições. Isso é um complicador na hora de selecionar nomes. É o caso do PDT, sigla de oposição ao governo do Estado que pode ter como vice um petebista, partido que dá sustentação a Jaime Lerner (PFL) desde a eleições de 1994, quando o PFL assumiu o poder.
Apesar da proximidade das convenções, os pré-candidatos dizem que ainda é cedo para se definir nomes. Entretanto, nos bastidores, eles continuam as articulações em busca de um nome com o perfil adequado. Trânsito entre os convencionais dos partidos também conta ponto na hora de se escolher um bom candidato a vice.
Para o pré-candidato do PDT ao governo, senador Alvaro Dias, o vice não precisa ter votos. Vice não disputa voto. Um amigo meu diz que só os parentes votam no vice. O importante é que ele seja de confiança. A afinidade entre os dois é um ponto fundamental para dar viabilidade à chapa, avaliou Alvaro.
O senador Roberto Requião, o nome do PMDB ao governo, tem opinião semelhante. Ele espera que o ocupante do cargo tenha perfil compatível com o seu. Não precisa ter grande inserção no Interior ou na Capital. O que ele não pode é ser contraponto, destoar, entende Requião. O senador afirmou que não quer trabalhar um vice mercadologicamente, quer um complemento para suas propostas.
Na avaliação do vice-prefeito de Curitiba e pré-candidato do PSDB à sucessão estadual, Beto Richa, o vice tem que ser participativo ajudar na campanha, pedir votos, estar presente em eventos. E não pode criar problemas. Beto cita como exemplo sua própria experiência como vice do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). Na campanha do Cassio eu ajudei, fui para a rua pedir votos.
O pré-candidato do PT à sucessão de Lerner, deputado federal Padre Roque Zimmermann, discorda da tese majoritária que dispensa densidade eleitoral dos vices. Espero que ele traga acréscimo de qualidade e de votos. Quero um colaborador, e não uma sombra, disse.


