Curitiba – Não são só os presidenciáveis que têm problemas para escolher um vice adequado. Os principais pré-candidatos a governador do Estado também estão empenhados em busca de um nome que, se não acrescentar muito, pelo menos não atrapalhe. O cuidado na escolha é grande. Ninguém quer preocupações e arrependimentos no futuro.
É praticamente consenso entre os pré-candidatos postos que o candidato a vice não precisa de densidade eleitoral. Sua função, avaliam os articuladores das chapas, não está em puxar votos. Como principal condição apontada, está a reputação. Os vices não podem ser alvos fáceis de denúncias, sob pena de colocar em risco a chapa.
Outra preocupação está na afinidade política. Partidos tradicionalmente adversários podem, eventualmente, caminhar juntos durante determinadas eleições. Isso é um complicador na hora de selecionar nomes. É o caso do PDT, sigla de oposição ao governo do Estado que pode ter como vice um petebista, partido que dá sustentação a Jaime Lerner (PFL) desde a eleições de 1994, quando o PFL assumiu o poder.
Apesar da proximidade das convenções, os pré-candidatos dizem que ainda é cedo para se definir nomes. Entretanto, nos bastidores, eles continuam as articulações em busca de um nome com o perfil adequado. Trânsito entre os convencionais dos partidos também conta ponto na hora de se escolher um bom candidato a vice.
Para o pré-candidato do PDT ao governo, senador Alvaro Dias, o vice não precisa ter votos. ‘‘Vice não disputa voto. Um amigo meu diz que só os parentes votam no vice. O importante é que ele seja de confiança. A afinidade entre os dois é um ponto fundamental para dar viabilidade à chapa’’, avaliou Alvaro.
O senador Roberto Requião, o nome do PMDB ao governo, tem opinião semelhante. Ele espera que o ocupante do cargo tenha perfil compatível com o seu. ‘‘Não precisa ter grande inserção no Interior ou na Capital. O que ele não pode é ser contraponto, destoar’’, entende Requião. O senador afirmou que não quer trabalhar um vice ‘‘mercadologicamente’’, quer um complemento para suas propostas.
Na avaliação do vice-prefeito de Curitiba e pré-candidato do PSDB à sucessão estadual, Beto Richa, o vice tem que ser participativo – ajudar na campanha, pedir votos, estar presente em eventos. ‘‘E não pode criar problemas.’’ Beto cita como exemplo sua própria experiência como vice do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). ‘‘Na campanha do Cassio eu ajudei, fui para a rua pedir votos.’’
O pré-candidato do PT à sucessão de Lerner, deputado federal Padre Roque Zimmermann, discorda da tese majoritária que dispensa densidade eleitoral dos vices. ‘‘Espero que ele traga acréscimo de qualidade e de votos. Quero um colaborador, e não uma sombra’’, disse.

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