Candidato propõe alfabetizar e especialista cobra programa
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domingo, 10 de setembro de 2000
Patrícia Zanin De Londrina 
Londrina será a primeira cidade do Brasil 100% alfabetizada. É o que promete na propaganda eleitoral o candidato do PSDB à Prefeitura de Londrina, Luiz Carlos Hauly. Ex-líder do governo na Câmara, o tucano não menciona possível apoio do governo federal à sua proposta, caso seja eleito.
Nesta segunda matéria sobre as propostas dos candidatos à prefeitura de Londrina, a Folha desvenda uma das idéias propagadas para o setor da educação que vem merecendo uma série de programas por parte dos homens que disputam a prefeitura da segunda cidade do Estado. Hauly diz que pretende contar com apoio de universidades, entidades comunitárias, igrejas e líderes de bairros para viabilizar seu projeto, de alfabetizar 25 mil pessoas que não sabem ler nem escrever.
Para a chefe do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria das Graças Ferreira, a proposta é viável, desde que o município formule uma política de atendimento à educação de adultos. É preciso criar um sistema próprio porque, historicamente, o município sempre atendeu as séries iniciais e deixou de lado os adultos, analisa.
Na opinião dela, a prefeitura nunca se preocupou com a questão com a necessidade que ela exige. É difícil, exige muito compromisso e muito dinheiro, alerta a professora, que também é membro da Associação Projeto de Educação do Assalariado Rural Temporário (Apeart).
Maria das Graças, que já trabalhou na secretaria municipal de Educação na gestão do então prefeito Luiz Eduardo Cheida (PMDB), diz que duvida que Hauly conseguirá alfabetizar 100% de Londrina. Eu duvido porque ele não tem história de afinidade com movimentos populares e sociais, opina.
Ela diz que não tem um levantamento sobre o número de adultos analfabetos de Londrina, mas acredita que os números divulgados pelo candidato correspondem à realidade.
A professora orienta que é preciso ainda formar alfabetizadores específicos para os adultos. Em relação ao tempo para colocar a proposta em prática o candidato promete três anos ela acredita que é viável.
O candidato diz que se compromete a transformar este desejo (a alfabetização) em realidade e que, para isso, necessita de apoio de toda a sociedade organizada. Não é possível admitir que, no limiar do terceiro milênio Londrina Ainda conviva com milhares de pessoas que não sabem ler e escrever quando, ao mesmo tempo, a Internet rompe as barreiras da comunicação instantânea e global.
De acordo com Hauly, os números sobre analfabetos são da secretaria municipal de Educação e equivalem a 5% da população de Londrina. Ele prega o Mutirão da Alfabetização, do qual deverão participar, além da prefeitura e outros órgãos públicos, empresários, professores e voluntários.


