Reportagem publicada ontem por esta FOLHA trouxe um dado preocupante: as doenças ligadas ao câncer deverão ser a principal causa de morte dentro de oito anos no Brasil. O alerta é de médicos oncologistas que se reuniram em São Paulo para discutir a gravidade do problema. Atualmente, as doenças cardiovasculares, como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o infarto, são responsáveis pela maioria das mortes no país, vindo logo a seguir os óbitos por câncer.
Estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que somente este ano o país deverá registrar mais de 500 mil casos da doença. No Paraná, por sua vez, serão 16 mil novos registros. E esse rápido avanço do câncer pode estar intimamente ligado não só ao estilo de vida do brasileiro, mas sobretudo à precariedade da estrutura de atendimento e de prevenção à doença.
A Sociedade Brasileira de Radioterapia destaca que não há aparelhos de radioterapia suficientes para atender à população. O dado é confirmado pela estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) segundo a qual 85 mil pacientes ficarão sem radioterapia este ano.
Isso significa dizer que muitos doentes terão a doença agravada e, pior, poderão até morrer em razão disso. Outro alerta dos médicos é quanto à precariedade de boa parte dos hospitais que atendem pelo SUS com equipamentos obsoletos que agravam as sequelas do câncer e diminuem as chances de cura.
Enquanto isso, o noticiário da imprensa é recheado com denúncias de esquemas de desvio de dinheiro público nos mais diferentes setores de governo. Se esses recursos fossem destinados para a saúde, ajudariam a minorar a dor de milhares de pacientes e, quem sabe, reverter a triste previsão de que o câncer subirá para a primeira posição no número de óbitos no País em 2020.
É preciso que o governo não só ajude a estruturar os hospitais públicos, como também atue firmemente na prevenção ao câncer.

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