O governo brasileiro está regredindo em sua política agrícola e se nossas autoridades continuarem agindo da maneira como vêm atuando, corremos o risco de agravar ainda mais nosso quadro de atraso e injustiça social. Esse diagnóstico pode parecer repetitivo e pessimista, mas é um retrato absolutamente verdadeiro e real do que vem acontecendo no setor agrícola brasileiro.
O Brasil é um país de dimensões continentais, com terras disponíveis e um potencial enorme para a produção de alimentos. Com incentivos e crédito, uma política agrícola clara e definida, nosso país poderia vencer as fronteiras do atraso e exportar alimentos para o mundo todo, tornando-se a potência econômica que todos nós desejaríamos que fosse. Por conta de políticas equivocadas, omissão e descaso, o que acontece hoje é que a agricultura está abandonada e a propriedade rural no Brasil está sendo inviabilizada. Estamos invertendo nossa balança comercial de produtos primários, deixando a condição de exportadores para importar algodão, leite e outros produtos. Além de desequilibrar a balança, abandonamos culturas de destaque em nossa economia.
Cada vez gasta-se mais e ganha-se menos na atividade agropecuária. A política de juros altos do governo eleva os custos de produção a patamares insustentáveis. O mesmo não acontece no momento da comercialização, o que só desestimula a produção e a aumenta a quebradeira.
A carga tributária imposta aos produtores rurais é pesadíssima e onera ainda mais a atividade. Para se ter uma idéia da dimensão do problema, além de pagar Funrural, Senar, Incra, ITR e encargos trabalhistas, os donos de propriedades agora estão sendo obrigados - inclusive pelas próprias cooperativas - a recolher taxas ao Crea para fazer simples curvas de nível ou projetos de plantio em pequenas e médias propriedades.
Não bastasse a crônica falta de recursos para a agricultura e o descaso das autoridades na definição da atividade como prioritária, o governo se omite na questão da reforma agrária. O campo vive um clima de insegurança e terror devido às ações do MST. Uma coisa é a luta legítima pela desapropriação de terras improdutivas. Outra, é a invasão de fazendas estruturadas e produtivas, com saque de bens e ameaça à integridade física de proprietários e funcionários.
Os governos, tanto o federal como o estadual, devem ser obrigados a pagar indenizações aos proprietários rurais que são vítimas da ação destruidora do MST. São muitos os relatos do vandalismo promovido por membros do movimento, que matam animais, roubam móveis, objetos de arte e utensílios domésticos, picham paredes e até defecam no chão das sedes das fazendas. Patrimônios construídos ao longo de décadas são destruídos pelo MST em questões de horas e o governo deve ser obrigado a indenizar as vítimas, uma fez que não cumpriu seu dever constitucional de assegurar a segurança ao cidadão brasileiro.
Esse quadro está trazendo consequências desastrosas, como a fuga de mão-de-obra e a venda a preços irrisórios de muitas propriedades rurais. Com medo de ser a próxima vítima do MST, muitos donos de propriedades estão vendendo suas terras por ninharia. Os trabalhadores rurais, sem alternativa de trabalho, incham as periferias das grandes cidades. Sem qualificação profissional, esse contingente só aumenta a marginalidade e o desemprego.
A inércia do governo em resolver definitivamente a situação no campo está provocando reações indesejadas por parte dos proprietários rurais. Sentindo-se desamparados pelas autoridades, muitos deles organizam milícias armadas para defender suas propriedades. Para quem vive a realidade do que acontece hoje no campo, não será surpresa se confrontos sangrentos começarem a ocorrer no Paraná.
Outro agravante é a falta de flexibilização da legislação de preservação de áreas verdes, que tem penalizado principalmente os pequenos e médios proprietários rurais e a ação de uma verdadeira ‘‘quadrilha da mata’’ contra donos de terras. O Ibama exige a preservação de 20% de reserva legal e mais 30 metros às margens dos rios. A sobreposição das duas áreas inviabiliza economicamente as pequenas propriedades.
Além disso, proprietários que não têm a área de reserva legal averbada estão sendo vítimas da ação ilícita de pretensos ambientalistas que, em nome da preservação do meio ambiente, intimidam e constrangem os proprietários com ações judiciais descabidas.
Entre salvar o campo, com uma política séria de reforma agrária e de recursos para custeio e comercialização das safras, entre outras providências urgentes, as autoridades tanto federais como estaduais, preferem ajudar bancos quebrados, gastar em propaganda, investir em uma virtual e desnecessária Caixa Econômica Estadual, só para alguns citar exemplos. A agricultura e a propriedade rural, para nossos governantes, parecem não ser prioridades. A continuar assim, o campo vai mesmo explodir.

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