CAMPEÕES DE APROVAÇÃO - VESTIBULAR PARA ELES É FICHINHA
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de fevereiro de 2003
Fernanda Bressan<br>Reportagem Local 
Passar no vestibular já é uma emoção, mas para alguns estudantes este feito chega com sabor especial e até com certa pompa e destaque. São jovens que, como os outros, saem com os amigos, praticam esportes, namoram, se divertem, mas têm um diferencial no currículo: várias aprovações nos vestibulares.
Depois de dois anos de cursinho, Luiz Angelo Rossato, 19 anos, conseguiu ser aprovado em nada mais nada menos que seis vestibulares para medicina. Na lista estão Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro (FMTM) e Faculdade Evangélica do Paraná (Fepar).
Quem pensa que se trata de um nerd, pode esquecer. Para começar, nada de quarto trancado para estudar. Ele resolvia os exercícios na mesa da sala e quando o estudo era simplesmente ler, o sofá era o local escolhido. As atividades esportivas também não ficaram para trás neste período. Três vezes por semana ele praticava remo e jogava tênis em pelo menos em outros dois dias. Nunca tomei pó de guaraná para estudar. Quando dava sono eu ia dormir, conta.
Sábado a noite era dia de sair com os amigos e como ninguém é de ferro, domingo de manhã era reservado para dormir. Para quem se espanta com o resultado, Luiz dá algumas pistas de como conquistou essas vagas. Tenho facilidade para guardar as coisas e sou muito tranqüilo. Depois de dois anos de cursinho você pega a manha, diz. O processo foi contínuo. O primeiro vestibular ele próprio confessa que fez por fazer. Tinha passado um ano nos Estados Unidos e só fiz a prova porque meu pai tinha feito a inscrição. Depois disso, ele foi chegando próximo, ficando em 97º no último vestibular da UEL.
Um costume que Luiz tinha era de não corrigir as provas. Só corrigia depois do resultado para não desanimar, justifica. Mas este ano foi diferente. Corrigi a prova de português depois que tinha feito a última prova. É a matéria que eu tenho mais dificuldade e quando vi que tinha ido bem tomei coragem e corrigi o resto, conta.
No dia do resultado foi só festa. Meu pai estava trabalhando (ele é dentista) e eu fui no consultório dele. Nem pude abraçá-lo porque ele estava todo de branco e eu todo sujo do trote, lembra. Agora, é só esperar pelo começo das aulas. Penso em fazer oftalmologia mas tem tanta coisa no meio da faculdade que isso pode mudar, comenta.
Mariana de Souza Fustinoni, 18 anos, também teve desempenho impressionante. Ela terminou o ensino médio e conquistou vaga em três faculdades para administração. No meio do ano, ela foi a segunda colocada na UEPG. Agora, ficou em terceiro na UFPR em primeiro lugar na UEL.
Ela vai estudar em Curitiba. Eu fiquei muito contente quando saiu o resultado da federal, comecei a chorar porque era o que eu queria, conta. Para isso, Mariana diz que estudava todos os dias por pelo menos quatro horas. Mas isso não a impediu de se divertir. Não deixei de sair com os amigos e ir a barzinhos, observa a estudante que adora ir ao cinema e dançar.
Mariana sempre foi boa aluna e acredita que o que fez a diferença no vestibular foi seu hábito de leitura. Eu sempre tive acesso a livros, teatro, cinema, revista. Meus pais nunca deixaram de comprar um livro quando eu pedi, salienta. Outro segredo foi dedicar um dia da semana para descansar. Domingo eu procurava tirar para mim. Era dia de não fazer nada, comenta.
Lucas Meda Caetano Paraíso, 21 anos, é a prova de que com determinação e esforço tudo se pode alcançar. Foram três anos de cursinho e hoje ele comemora aprovação em três vestibulares para medicina: UEL, PUC-PR e Faculdade de Medicina de Catanduva (Famec). Ano passado fiquei na lista de espera, lembra. A disciplina de português sempre foi o calo na vida estudantil de Lucas. No ano passado não passei por causa de português, diz. Mas o estudo superou a dificuldade e hoje ele pôde dizer: Gabaritei a prova de português.
Como os outros estudantes, Lucas não viveu só para estudar. Ele namora há três anos, joga futebol toda segunda-feira, toca violão na igreja que freqüenta e domingo não abria nenhum livro para estudar. Tem que separar os horários. Chega uma hora que não adianta mais estudar, destaca.
No dia do resultado, a emoção foi dobrada, era também dia do seu aniversário. Ele foi com os pais até o campus da UEL e lembrou que foi difícil se convercer de que tinha realmente passado. Olhei várias vezes na lista, conferi em uns três jornais e pedi para uma menina ler meu nome para ver se era isso mesmo, diz. Agora ele se prepara para estudar na UEL, mas a ansiedade de começar as aulas é grande. Fui cancelar a matrícula na PUC e era o primeiro dia de aula. Deu vontade de entrar para assistir, confessa. Para finalizar, ele resumiu a sensação de ser um universitário: É bom demais saber que agora é vida nova.


