Campanha presidencial e denúncias
Com os candidatos à Presidência da República esquentando suas campanhas é hora de a Justiça Eleitoral montar vigilância para o cumprimento da legislação. Ela o faz da melhor maneira, mas dentro do possível. Em geral o que se observa é um certo rigor com os meios de comunicação e um bem disfarçado abrandamento com políticos poderosos. Os candidatos de primeira viagem também são alvo desse rigor; na eleição passada foi proibido o uso de inofensivas camisetas com nome do candidato e sigla do partido. Paradoxalmente, não faltaram acusações contra uso da máquina administrativa nas campanhas para governador e Presidente da República.
A Associação Nacional dos Jornais está distribuindo orientações para a correta interpretação da lei. A julgar pelas eleições anteriores, os veículos impressos, têm dado pouco trabalho para Justiça Eleitoral. O desafio mesmo está no poder.
Precisa exemplo? Um apenas: até hoje não foi apurada a denúncia sobre o que ocorreu com a Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). O caso foi esquadrinhado pelo Ministério Público paulista, mas de repente o assunto saiu da pauta da imprensa e, pelo jeito, também da pauta da MP. A principal suspeita é de desvio de dinheiro dos cooperados injetado na cooperativa. O dinheiro - originalmente destinado à aquisição de casas próprias para os cooperados - teria sido usado na campanha presidentencial.
Particularidades levantadas pela revista Veja conferem ao epiosódio a dimensão de escândalo político nacional. Uma delas - disse Veja na oportunidade - é a participação nas malfeitorias de homens do dinheiro do PT. Veja revela mais, num trabalho da repórter Laura Diniz: Eles, os homens do dinheiro do PT, foram agentes dos crimes de desvio das verbas do Bancoop e seu carreamento para financiar campanhas do partido. Veja diz ainda em reportagem naquela oportunidade: o inquérito (aberto na Justiça paulista) indica que parte dos recursos desviados ilegalmente abasteceu a campanha presidencial de Lula em 2002. Outra parte foi para os cofres dos companheiros, que hoje estão na liderança da campanha de Dilma Rousseff, inclusive João Vaccari, que viria a ser indicado por Lula para ser tesoureiro da campanha de Dilma. Resta saber como a Justiça vai lidar com isso.





