A semana guarda algumas surpresas políticas. A exacerbação é iminente e o tema aborto, infelizmente, não se esgotou, ao contrário do que muitos podem supor. Depois da capa da revista Veja, ontem, o melhor que a assessoria da candidata Dilma Rousseff tem a fazer é encerrar o assunto e parar de ficar negando sua posição. Serra também, conforme comentamos ontem, neste espaço, deve evitar explorar a posição da sua adversária. Que apresente propostas.

A Veja publicou ontem duas declarações de Dilma sobre aborto. Crítica fulminante numa campanha. A primeira, no dia 4 de outubro de 2007, colocando Dilma como favorável ao aborto. Disse Dilma textualmente, segundo Veja: ''Acho que tem de haver a descriminalização do aborto. Acho um absurdo que não haja.'' Já no dia 29 de setembro de 2010, a incoerência. Dilma teria dito: ''Eu, pessoalmente, sou contra. Não acredito que haja uma mulher que não considere o aborto uma violência.''

Dilma vai contestar a Veja?. Nem deve. Ela tem uma agenda bem carregada. Para fortalecer a tese contra o aborto, a revista ainda coloca declarações fortes de lideranças religiosas. O presidente do Fórum Evangélico Nacional, Wilton Acosta, diz que o Estado tem a obrigação de garantir a segurança das crianças ainda no ventre materno. ''É inadimissível tratar assassinato como medida de saúde pública.'' O diretor da Federação Espírita Brasileira, Geraldo Campett: ''A prática do aborto é um crime aos olhos de Deus. Um espírita tem esse princípio que é levado em conta na hora de escolher um cadidato.'' A declaração mais direta é a de d. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos. Ele afirma: ''O aborto é o mais horrendo dos homicídios. A candidata tem documentos dizendo que é um absurdo o Brasil não aprovar o aborto. O recuo é mero oportunismo''.

Mas, o pior de tudo, e isto sim pode ser levado à campanha, são as denúncias contra a substituta de Dilma - e pessoa da sua confiança - Erenice Guerra, na Casa Civil. Depois de tantas eventuais irregularidades, vem a manchete de ontem do jornal O Estado de São Paulo: Nomeado de Erenice aprovou superfaturamento nos Correios. Não é pouco. O valor do superfaturamento seria de 2,8 milhões.

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