Campanha arriscada - Mirian Guaraciaba
Campanha arriscada
Mirian Guaraciaba
Ciro Gomes encostou em Luiz Inácio Lula da Silva 25% a 25%. Deixou longe prováveis candidatos do PSDB e do PFL. Mas o ex-ministro não comemorou a nova rodada de pesquisa CNT-Vox Populi.
A subida do balão de Ciro é prematura. Quanto mais subir, pior será a queda, diz um executivo do PFL. O partido ainda não bate em Ciro em público, a não ser o senador Antonio Carlos Magalhães, com quem o ex-ministro tem diferenças políticas.
Para Ciro, subir na preferência dos brasileiros é risco calculado e necessário. Ele não tem estrutura partidária, nem tempo de sobra na TV. Quanto mais for conhecido pelo eleitorado nestes três anos que ainda faltam para as eleições, melhor para ele.
Ciro cresce porque há um vazio no momento político brasileiro. Além de ter perdido a simpatia popular, FHC não é candidato à reeleição. O presidente está agora mais preocupado em como passará para a história do que com a próxima eleição.
O PT vive o drama de não poder descartar Lula, derrotado três vezes. Lula é o único nome capaz de unir e apaziguar as 15 tendências do partido. Quinze não é modo de dizer. Ruim com Lula, pior sem Lula, raciocina um dos núcleos petistas.
Crescer demais é bom e é ruim para Ciro. Difícil mesmo será manter o balão com gás até 2002. O candidato que começa muito cedo, ou muito tarde, pode perder a hora. Ciro deverá ter muito fôlego, programa e propostas. E lábia para continuar encantando o eleitorado aparentemente conquistado.
- MIRIAN GUARACIABA é jornalista em Brasília





