Um jovem que vive na marginalidade pode alimentar o ideal de recuperação, como o caso do rapaz, de 19 anos, citado em reportagem de ontem deste Jornal e que tenta sair da condição em que se encontra. A revelação serve como exemplo de que os iguais a ele podem ser ressocializados e viverem decentemente. Ruas e mocós (as casas ou galpões abandonados, onde eles se homiziam) não são com toda a certeza ambientes aprazíveis, mas, ao contrário, muito propícios a degenerar as mentes de quem não encontra alojamento melhor. Como esse moço que viveu dez anos em mocós e que agora quer se livrar disso e das drogas. Negro, pobre, com problemas familiares desde a infância, sem estudo e sem uma profissão definida, este o seu currículo. Se filhos de famílias mais abastadas estão sujeitos a cair nos desvios, imagine-se como é maior a vulnerabilidade de quem já nasceu à margem de todos os benefícios sociais. Há louváveis instituições, públicas e privadas, buscando socorrer pessoas em tal estado. Mas essa tarefa precisa ser intensificada pelo poder público e pela sociedade, por via da reeducação desses marginalizados e delinquentes (incluindo os presos) e da sua reinserção no meio social. No caso do jovem citado, nem é reinserção mas o seu ingresso na denominada parte sã da sociedade, porque, pela sua história, ele nunca esteve inserido nela. Vale, mais uma vez, remeter para a proposta do major Sérgio Dalben, chefe da Diretoria de Pesquisa do 5º Batalhão da Polícia Militar, de arregimentar a comunidade para a ressocialização de delinquentes por via do emprego porque a maioria deles tem passagem pela Polícia. São, portanto, identificáveis. No caso dos menores infratores, não serão instituições com as Febens e outras do gênero (embora necessárias, na emergência) que irão recuperá-los. O mesmo se dá com a maioria dos que lotam as penitenciárias. Exemplos existentes, aqui mesmo no Paraná os das oficinas de trabalho profissional para detentos atestam que é possível reerguer pessoas que se envolveram nas malhas da transgressão. Idéias extremas devem ser banidas das mentes radicais, porque é função da sociedade, que se diz civilizada e cristã, salvar cada indivíduo e não exterminá-lo. Ou então se terá de colocar na fronte de cada pessoa com tal mentalidade a marca da igualdade com os marginais. Afora alguns casos de difícil solução, é certo que todo delinquente gostaria de ter uma família bem estruturada e um trabalho. Londrina está repleta de bandidos, como nunca se viu antes. Esta a realidade, e sabe-se que eles são violentos e perigosíssimos, como demonstram suas ações. Mas se o problema da marginalidade não for resolvido a partir das causas que repousam nas misérias sociais e na ausência de oportunidades a cidade terá de conviver continuamente com a bandidagem. O policiamento é necessário, mas não é solução definitiva se o mal não for combatido na origem, e esta é a falta de renda sadia (do infrator e da família) e a precária habitação, que deteriora a dignidade humana. Dê-se ao indivíduo emprego e casa decentes, e a marginalidade cairá quase por completo. Evitar que novos foras-da-lei se formem e ressocializar os existentes é a solução sábia. As cidades têm de decidir se apenas desejam combater bandidos pela força o que é preciso fazer, mas resolverá pouco ou, paralelamente, buscar a recuperação dessa legião de excluídos e delinquentes, perigosos que sejam. A segunda fórmula é, sem dúvida, a mais difícil, porém a única com garantia de eficácia.

mockup