Caminhoneiros lotam salas de aula para garantir trabalho
O curso de Movimentação de Produtos Perigosos (Mopp) é obrigatório a todo caminhoneiro interessado em transportar cargas químicas e, além disso, tornou-se uma exigência das empresas na hora da contratação. ''As transportadoras estão requisitando este curso durante o processo de seleção de novos funcionários. Se um candidato não possui o curso, fica automaticamente fora da disputa por uma vaga na empresa'', assinalou o instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem no Transporte (Senat), Cláudio Roberto Vieira.
Segundo Vieira, o curso tem duração de 40 horas e as turmas são formadas por, no máximo, 20 alunos. ''Ao final do curso, os motoristas realizam testes escrito e oral, cuja média é sete. Em caso de reprovação, o caminhoneiro pode fazer uma nova avaliação. Se falhar nesta segunda tentativa terá de fazer o curso novamente'', explicou o instrutor.
''Os caminhoneiros recebem mais uma carteira, expedida pelo Detran, similar à carteira de habilitação. Além disso, fica anotado no registro nacional de habilitação de cada motorista a capacidade de transportar produtos perigosos. A carteira tem validade de cinco anos e ao final deste período, o motorista deve fazer um curso de reciclagem'', detalhou o instrutor.
Durante as aulas, os caminhoneiros discutem as nove classes de produtos perigosos: explosivos, gases, líquidos inflamáveis, sólidos inflamáveis, substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos, substâncias tóxicas e infectantes, materiais radioativos, corrosivos e substâncias perigosas diversas. Para isso, são realizadas experiências químicas que ilustram a teoria ministrada na apostila recebida pelos alunos.
''O curso é importante para conscientizar o motorista da importância de se conhecer a carga e como proceder em caso de acidente'', declarou Vieira, lembrando que o maior problema enfrentado pelas transportadoras é a compatibilidade de cargas, ''quando as empresas misturam produtos num mesmo caminhão sem saber se eles reagem perigosamente entre si''.
Segundo o instrutor, derramamento de combustível é o principal incidente registrado nas estradas brasileiras. E o modo mais prático de contornar o problema é seguir as normas da ficha de emergência que acompanha a carga. ''Cada caminhoneiro deve receber do expedidor um envelope e uma ficha de emergência com os procedimentos a seguir em caso de acidente. Cada ficha contém informações específicas da mercadoria a ser transportada. Além disso, o expedidor provê ao motorista um kit de proteção individual e um kit de emergência que varia de acordo com a carga'', afirmou Vieira. (M.G.)





