‘‘Quando chove, só tatu com chuteira para subir aquela estrada.’’ O exagero na afirmação de Claudemir Maia, encarregado administrativo do entreposto da Cooperativa Agropecuária Vale do Tibagi (Valcoop), no distrito de Irerê, dá a dimensão quase exata do estado em que se encontra boa parte da estrada rural que liga Guairacá, patrimônio londrinense, ao município de Tamarana: por falta de manutenção, quando chove, o tráfego de caminhões torna-se impraticável naquela região, prejudicando o escoamento da safra de grãos.
Segundo Maia, a maioria dos produtores prefere enviar a produção de soja e milho principalmente para Tamarana porque representa uma economia de 15 quilômetros em comparação com a distância até Londrina. Ele estima que naquela área tenham entre 1,7 mil e dois mil hectares cultivados com a oleaginosa e o cereal. Maia diz que a opção por Londrina prevalece quando a chuva persiste por alguns dias, o que impede que o leito da estrada seque e permita o tráfego. ‘‘O produtor não pode ficar com a produção parada, por isso, envia para Londrina’’, acrescenta.
O agricultor Sinésio de Souza que, no próximo dia 10, começa a colher os 121 hectares de soja no Sítio São José, no bairro 80 Alqueires, com expectativa de obter produtividade de três toneladas por hectare, diz que há mais de quatro meses, depois que a prefeitura fez alguns consertos na estrada, logo abaixo do Rio Taquara, a situação piorou. ‘‘Até os veículos do transporte escolar não entram na estrada nos dias de chuva e, por isso, deixam as crianças longe de suas casas.’’
De acordo com Souza, cuja família mora no local desde 1960, quando o pai José João de Souza chegou para abrir a região, os moradores do 80 Alqueires estão começando a ficar preocupados com a possibilidade de se deparar com dificuldades para escoar a produção. Segundo ele, a estrada tem microbacia, mas diante de alguns problemas, os agricultores solicitaram alguns consertos que acabaram piorando o quadro. ‘‘Agora esperamos que a prefeitura coloque cascalho, do contrário ninguém terá condições de sair daqui, de caminhão ou de carro’’, alerta.
O agricultor Marcos Rodrigues comenta que, mesmo com tempo bom, não dá para ir para Tamarana. ‘‘A estrada está muito ruim.’’ Ele diz que será obrigado a optar por Londrina, gastando mais com o transporte, pois o frete é de R$ 1,00, ante os R$ 0,75 cobrados até o município vizinho. ‘‘Além disso, há as filas para descarregar em Londrina’’, observa.
O agricultor afirma que a opinião de consenso é que ‘‘o escoamento da produção será ruim.’’ O que não é nenhuma novidade porque a estrada ‘‘sempre foi difícil já que os consertos só são feitos nos lugares mais críticos’’. De acordo com Rodrigues, o percurso entre o patrimônio Guairacá, onde fica a Fazendinha São João, é de 23 quilômetros. Até Londrina, a distância é de 45 quilômetros. Ele espera iniciar a colheita dos 84 hectares de soja em 30 dias, com expectativa de rendimento de 3,9 toneladas por hectare.

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