Muitas empresas, atualmente, têm se preocupado com questões ambientais. Este é um assunto que anos atrás não preocupava tanto, mas que hoje pode fazer uma marca vender menos ou até uma empresa cair no conceito dos consumidores.
Essa conscientização ambiental está atingindo muitos setores da indústria, e na opinião do consultor André Basso, do Sebrae, está havendo uma demanda crescente por investimentos em tecnologia não poluente. Segundo o consultor, ainda não é possível mensurar o número de corporações que estão aderindo a esses recursos, mas o fato é que a lei está em cima de quem produz e, com isso, cresce o interesse nesse tipo de ação.
Surgiram em Londrina muitas empresas especializadas em reciclagem de vidro, óleo de cozinha, restos de podas e resíduos de construção. O consultor lembra que há cinco anos não existia esse tipo de serviço na cidade. Ou seja, não só novos negócios surgirão em torno dessa área, como as empresas tradicionais terão que se adequar às questões ambientais.
Investir em meio ambiete é um bom negócio?
Como em qualquer outra área, depende de como a oportunidade é conduzida. Mas trata-se de um começo sem volta. Primeiro porque as leis ambientais estão cada vez mais duras contra empresas poluentes ou fora do padrão ambiental, e o tanto de informação que hoje é levado à sociedade faz com que os consumidores não aceitem produtos que agridam o meio ambiente.
Outro motivo é a competitividade. Hoje a concorrência é tão grande que muitas instituições tentam ter um diferencial no seu produto e serviço. E ser 'ambientalmente correto' pode ser um chamariz para aqueles consumidores que estão indecisos entre duas marcas similares. Antes as empresas conseguiam competir entre si sem entrar na questão ambiental. Mas, nos últimos anos, a sociedade começou a cobrar soluções das grandes empresas, então muitos consumidores preferem a marca 'X' simplesmente porque ela polui menos que outra marca semelhante. É claro que o número de empresas interessadas em se adequar nessa questão ambiental ainda não é grande, nem ideal, mas é maior do que nos últimos anos.
Por que é importante que as empresas sejam ambientalmente corretas?
O Brasil ainda não chegou ao ponto em que um produto não consegue vender porque não é ambientalmente correto. Mas em países da Europa existem catálogos de ONGs e instituições listando as empresas ''verdes''. Então, quem realmente se preocupa em consumir produtos ecológicos pode consultar esse catálogo e decidir sua compra conforme as informações presentes na lista. É uma maneira de fazer a empresa se adequar a padrões que ainda não são cobrados em lei, porque a empresa vai querer ser citada no catálogo.
Esses países estão à nossa frente nessa questão de conscientização, mas esse pensamento vai virar realidade aqui. Quando isso acontecer, a empresa que primeiro se preocupou em ser ecológica vai ter mais consumidores do que outras que ainda não começaram esse processo. Talvez por isso houve essa percepção, aqui no Sebrae, de que uma demanda cada vez maior de empreendedores estava interessada em investir em tecnologia não poluente, principalmente em reciclagem.
O senhor pode citar algum exemplo prático de como as empresas podem melhorar práticas na área ambiental?
A conscientização ambiental de uma empresa não tem que começar com projetos grandiosos. A separação do lixo, por exemplo, ainda não é feita em muitos lugares e é o mínimo que a empresa deve fazer pelo meio ambiente. Hoje um problema ambiental numa instituição pode aniquilar anos da imagem que foi construída perante a sociedade. Não adianta a empresa fazer propaganda em cima do fato de ''não destruir a mata nativa'', quando ela não consegue dar conta dos resíduos que produz.
Vamos pegar como exemplo um salão de beleza. Não existe, hoje, uma lei específica para esse tipo de estabelecimento. Mas, se o proprietário tiver consciência ambiental ele pode separar do lixo comum aquelas embalagens de produtos químicos que contaminam o que poderia ser reciclado. Borracharias, postos de gasolina, lojas e qualquer estabelecimento comercial podem separar seu lixo corretamente, fazer captação de água da chuva para cisternas e retirar do lixo comum o que pode ser contaminante. Não é uma obrigação, mas são pequenas ações individuais que podem fazer diferença no futuro.

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