CAMINHO PARA O SUCESSO - Inovação transforma conhecimento em riqueza
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sexta-feira, 03 de setembro de 2010
Paula Costa Bonini<br> Reportagem Local 
A agenda do empresariado hoje precisa necessariamente contemplar um compromisso permanente: a busca pela inovação. Independentemente do segmento, o objetivo dos empreendedores é ter vida longa e produtiva no mercado, que hoje é marcado pela competitividade e dinamismo. Para tanto, é preciso audácia e visão de mercado para não ser engolido pela concorrência.
''A inovação começa com a ideia, passa pela ação e se concretiza com os resultados. É um processo que transforma conhecimento em riqueza'', aponta Moysés Simantob, especialista em inovação e governança corporativa e cofundador do Fórum de Inovação da Fundação Getúlio Vargas-Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV-EAESP).
Segundo ele, para um país se tornar inovador a relação entre empresas e universidades deve ser estreita. Em entrevista à FOLHA, Simantob, que esteve em Londrina esta semana para a conferência do movimento BAWB (Business as na Agent of World Benefit), dá dicas para o empresário que quer inovar e ainda discute o hábito de copiar do brasileiro.
A inovação sempre deve trazer resultado econômico para a empresa?
É importante diferenciar inovação de invenção. Se um sujeito lança um produto que não tem boa aceitação do público, trata-se de uma invenção. Já a inovação é algo que traz reconhecimento, é um produto bem vendido. Muita gente usa os termos como sinônimos, mas não são. O brasileiro precisa ser inovador e não inventor. Há quem diga que o brasileiro é um povo criativo, no entanto, isso não basta. É possível criar um produto, mas não conseguir lançá-lo no mercado. A inovação começa com a ideia, passa pela ação e se concretiza com os resultados. É um processo que transforma conhecimento em riqueza, devendo trazer resultados econômicos.
Qual é a importância do diálogo entre universidades e empresas?
Em qualquer lugar do mundo, as empresas e as universidades devem estar próximas. Para que haja inovação é preciso conhecimento, dinheiro e empreendedorismo. E o empreendedor não deve ficar sozinho nessa batalha. Ele precisa contar com a ajuda das universidades, que servem como grandes laboratórios para estudos e testes. A relação das empresas com as universidades é um dos principais caminhos para tornar um país inovador. Os empresários e os representantes da academia devem dialogar muito, pois integram ''mundos'' com linguagem e tempo diferenciados.
O que é preciso ser feito para transformar a inovação em uma preocupação permanente nas organizações? Como dar o primeiro passo?
Primeiramente o empresário precisa entender a característica de sua indústria. A segunda coisa importante é pensar no público ao qual o produto se destina.
No Brasil, grande parte do empresariado tem o hábito de copiar e não de inovar. Como mudar essa situação?
O indiano VG (Vijay Govindarajan) diz que nós vamos viver um ciclo de inovação reversa e eu concordo. Na década de 1990, a globalização instaurou o seguinte modelo: nós recebíamos produtos europeus, americanos e japoneses para serem adaptados à realidade brasileira. No entanto, segundo ele, os custos de produção precisam ser menores. Por isso, Brasil, Índia, Cingapura e outros países vão começar a produzir produtos e soluções inovadoras, que serão levados e adaptados à realidade dos outros países. Com a inovação reversa, será preciso mão de obra qualificada e o modelo não será mais o da cópia. A produção vai ficar mais barata e o produto também.


