Caminho para a Ciência e a Tecnologia - Célio Henrique Lobo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de maio de 1999
Célio Henrique Lobo 
O Brasil, rumo ao desenvolvimento em um mundo globalizado, necessita incrementar, urgentemente, o número de profissionais treinados, aptos a lidar e a difundir a ciência e a tecnologia nacionais, nos diversos setores econômicos importantes. No Paraná, a situação não é diferente. Com a criação e o fomento do parque industrial do Estado abrem-se perspectivas e surgem possibilidades para empresas competitivas, no mercado interno e externo, em especial no contexto do Mercosul. O sucesso destas empresas será uma consequência direta dos investimentos feitos na qualificação de seus recursos humanos.
O número de vagas disponíveis na qualificação stricto sensu de profissionais e/ou pesquisadores é ainda pequeno para dar suporte a níveis de crescimento econômico aceitáveis. Números nacionais mostram que - com a estrutura de pós-graduação vigente - não se consegue suprir a demanda crescente de mestres e doutores, nem mesmo das universidades e institutos de pesquisa e, muito menos, dos setores industriais.
A pós-graduação e a pesquisa universitárias são instrumentos poderosos para o desenvolvimento científico e tecnológico de uma nação. Segundo a Capes - órgão do Ministério da Educação responsável pela pós-graduação nacional - somente 4% dos doutorados existentes possuem padrões de qualidade e de produtividade internacionais e menos de 25% dos mestrados são avaliados com nota máxima. Mesmo assim, o Sistema Nacional de Pós-Graduação/SNPG responde por grande parte da nossa pesquisa e precisa expandir-se de maneira especial para o interior do País.
Essa interiorização pode ser facilitada pelas diversas modalidades de intercâmbio, entre os programas de pós-graduação das Instituições de Ensino Superior (IES), em particular das universidades, que proporcionariam tanto a criação de programas novos e fortes, quanto a melhoria da qualidade dos já existentes.
Os programas em consórcio são oferecidos, sob a responsabilidade de uma instituição promotora já consolidada, no campus de uma instituição receptora que, após atingir o nível de competência requerido, atuaria, regularmente, oferecendo um programa novo. Também podem ser feitos em parceria por instituições que não têm condições de mantê-los individualmente; serem interinstitucionais, caso sejam voltados apenas para a capacitação de docentes; ou em rede, que implica na associação de algumas IES para oferta em diferentes pólos.
Estes programas podem ter caráter acadêmico ou profissional, destinados, respectivamente, a futuros pesquisadores ou a profissionais encarregados da elaboração de novas técnicas, processos e produtos.
Cabe mencionar que, o Tecpar (Instituto Tecnológico do Paraná) vem promovendo mecanismos de interface com intuito de disseminar programas utilizando a videoconferência - uma ferramenta relativamente nova, com grande potencial catalisador na elaboração de projetos, capaz de encurtar distâncias e reduzir custos.
No Paraná, duas universidades particulares, uma federal e cinco estaduais podem somar esforços, e utilizando-se destas modalidades de intercâmbio técnico-científico - entre si e com outras universidades brasileiras - alcançar o objetivo maior de levar a ciência e tecnologia a todas as regiões. O Estado não pode prescindir dessa rede estadual integrada de pós-graduação e pesquisa fundamentada nos princípios do associativismo e apoiada nos pontos fortes de seus membros públicos e privados.
- CÉLIO HENRIQUE LOBO é Ph.D. em Zootecnia e diretor de universidade em Umuarama


