Caminho da modernidade - Fernando José Dias da Silva
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de novembro de 1998
Fernando José Dias da Silva 
O painel eletrônico de R$ 8 milhões não funcionou direito. O fosso que está sendo construído em volta do Congresso pode bem virar uma piscina pública para combater o calor e a seca do Planalto Central. E o que se viu no plenário da Câmara dos Deputados, não retratava a realidade dos acertos feitos para aprovação do final da reforma da Previdência.
Tudo pode acontecer. A forma se distância, cada vez mais, do conteúdo. O marketing político está ai vicejante para não nos deixar mentir. Mesmo com o final das eleições.
Anthony Garotinho recebe uns trocados e diminui o ímpeto oposicionista tão alardeado logo depois da vitória. Paulo Maluf também já foi contido e o seu projeto, de passar para a oposição na votação do pacotaço da primavera, está sendo reestudado. No final, todos querem servir, querem ser úteis, querem prestar serviços à nacionalidade. Coisa de gente fina, que, logicamente, não faz parte das torcidas organizadas dos times brasileiros.
Os cargos, as emendas dos parlamentares no Orçamento, a embaixada negociada com aquele outro, os ministérios no próximo governo. Tudo isso vem como consequência. Afinal, nada mais natural que depois do apoio nas eleições haja também a participação dessas forças dentro do governo. Até a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, que já teve a sua fase púrpura, anda agora querendo contribuir.
Então, as coisas funcionam assim, em uma aritmética cujo resultado sempre fica a cargo dos mesmos. Uma conta simples de restaurante de terceira categoria é pendurada nos nomes daqueles que não têm escapatória, que não têm jeito de empurrar com a barriga a despesa e nem de negociar o prejuízo.
O pior é que esse pessoal come dobradinha pensando que está degustando foie gras truffée. E pior ainda - acredita que saboreia a delícia francesa mastigando a gororoba local boiando em óleo de procedência duvidosa.
Agora inventaram que o Brasil é muito importante para quebrar. Se o País for para o brejo vão junto com ele os Estados Unidos, a Europa, todos afundando em um abraço da morte. Por isso a montagem de um grande programa de socorro financeiro internacional para tirar o nosso pé - e outras partes - da lama.
A idéia seria boa se não constasse do acerto a obrigação de se fazer a lição de casa. São deveres interessantes recomendados pelo G-7, os donos do mundo. Entre eles está liberalizar as restrições ao comércio de bens e serviços. Traduzindo: transformar o País em porto-livre. Mas tem mais. Outra exigência é não discriminar credores. Estrangeiros e nacionais teriam o mesmo tratamento no caso do pagamento de dívida. E ainda tem muito economista por aí dizendo que o primeiro ponto para nós acharmos uma saída é restringir as importações, evitar a saída de capital para tentar equilibrar as contas externas.
Nós estamos trilhando a passos largos, inarredáveis, o caminho da modernidade. Vocês já repararam que de uns tempos para cá a palavra modernidade perdeu um pouco da sua modernidade?


