Câmeras na sala de cirurgia
Pergunta ao leitor? Que tal fugir das análises factuais e sacudir a zona de conforto onde repousam convenções e conceitos que, embora dormentes, estão relacionados com o que ocorre, a todo momento, na vida das pessoas?
Entidades que representam os médicos de São Paulo desconversam diante de uma sugestão (ou seria desafio?) do cirurgião Ben-Hur Ferraz Neto, chefe do Programa de Transplantes do Hospital Albert Einstein de São Paulo.
Para o arrepio de muitos de seus colegas, como ele próprio admite, Ben-Hur defendeu a idéia de que os hospitais instalem ''caixas-pretas'' nas salas de cirurgia. Ali são tomadas decisões de vida e morte e é proveitoso para todo mundo que essas decisões estejam registradas. Isso não ajudaria apenas a elucidar eventuais erros. Seria um banco de informações de imagens e dados de cirurgias.
O médico deixa claro que não se trata de vigiar a equipe, criando uma tensão a mais para os profissionais no ato cirúrgico. A ideia é que o conhecimento exposto durante a cirurgia fique registrado para consulta. Mas há outras finalidades, uma vez que ele compara as imagens de uma cirurgia com as funções da caixa-preta de aviões. E embora o cirurgião Ben-Hur quisesse atribuir-lhes uma função didática, nada impede que tais imagens possam ser requisitadas para sindicâncias internas ou para fins judiciais.
A sugestão consta de uma entrevista à Veja, páginas amarelas - ''Caixa-preta na cirurgia'' - em outubro. Há outras propostas menos polêmicas como a de remunerar os médicos pela qualidade e não pela quantidade. Os médicos brasileiros deveriam passar por um controle de qualidade maior - defende - e isso seria fator determinante na remuneração do profissional. Na medicina raramente existem indicadores de avaliação.
Ainda sobre a adoção do controle eletrônico na sala de cirurgia, a chamada caixa-preta, Bem-Hur acha que o paciente seria o grande beneficiado. Lembrou que o paciente de uma cirurgia está sempre em uma circunstância vulnerável. ''Para começo de conversa, ele está sedado, semidespido, longe dos amigos e da família. É justo que a pessoa em um momento desses tenha a segurança de saber que tudo está sendo gravado''.
Isto é dito por um médico, para o arrepio, agora, dos atuais e futuros pacientes.





