O promotor de Saúde Pública de Londrina, Paulo Tavares, diz que irregularidades no cartão-ponto do Hospital Universitário precisam ser apuradas, mas não se pode denegrir o serviço prestado à comunidade. ''O grande receio é que esse episódio já manchou a imagem do HU. Essas divergências pessoais entre a reitoria e a direção do hospital sejam superadas em nome do serviço público, do que representam a UEL e o HU. Que haja a maturidade dessas duas direções no sentido de se aproximarem mais, de convergirem em pensamentos e idéias, porque a população precisa do HU.''

Os professores que dão aula no HU têm que bater ponto e os que estão no campus não. Não precisa haver uma igualdade?
O controle precisa ser igualitário. Por conta desse episódio ficamos sabendo que esse sistema de controle através de cartão-ponto só existe no HU. Sem querer interferir, já que é uma questão administrativa, achamos isso no mínimo estranho. Por que não se adota o mesmo tratamento para servidores da mesma instituição?

Além do cartão-ponto, há a colocação de câmeras de vigilância. Na sua opinião isso é necessário?
Isso vai ser colocado na UEL inteira? Acredito que é um exagero, temos que ser razoáveis, todo sistema de controle de frequência é bem-vindo. Se há desconfiança em relação a alguns setores que se trabalhe com eles. Tenho receio que se crie um clima de terrorismo, de caça às bruxas no hospital universitário e que profissonais de altíssimo gabarito acabem saindo. Tenho minhas dúvidas em relação a esse critério, essas formas de acompanhamento.

Houve excesso ao se divulgar as imagens?
Acredito que na área da saúde se deve tomar muito cuidado para não desinformar a população, dando a impressão que aquilo é muito comum no HU. Acredito que a retoria deveria se preocupar também em divulgar, ressaltar e enfatizar os inúmeros benefícios que o HU traz à população. O SUS não viveria sem o HU, isso é muito significativo.

Mas a população tem o direito de saber o que está acontecendo...
Pode e deve saber. Agora a maneira como essa informação chega à população e a divergência entre a direção e a reitoria, esse jogo de palavras, essa troca de acusações, isso não contribui em nada. O HU já tem muitos problemas. Repito: o trabalho que a grande maioria realiza é digno de respeito e admiração.

Bater o ponto e não prestar serviço, que são as denúncias feitas, atinge a questão do patrimônio público? Uma vez que os servidores da UEL são pagos pelo Estado.
Sim isso tem reflexos na área do patrimônio público. Nós acreditamos que a administração do hospital e da UEL devem apurar e os responsáveis devem ser punidos na forma da lei. Agora, deu-se a impressão de que no HU a situação está sem controle.

Mas o HU tem problemas constantes, como por exemplo o fechamento do pronto-socorro, que acontece com frequência...
Evidente que recebemos denúncias do atendimento que é feito no HU, mas essas são situações excepcionais, é importante ressaltar. Porque senão de uma situação excepcional se compromete toda a imagem e o serviço que é prestado. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, o trabalho desenvolvido pelo hospital é magnífico, de altíssimo nível, de referência no serviço público de saúde. O meu receio é que por conta da conduta de alguns profissionais, que, ao que consta não fazem parte do atendimento de urgência e emergência do hospital, condutas que serão investigadas, todo o trabalho do HU seja manchado, atingido. A população tenha a impressão, e a própria mídia alimenta essa idéia, de que o sistema público de saúde é um caos, vive em estado de calamidade pública. Na realidade só aparecem os erros, que são muito menores que os acertos.

mockup