A polêmica que envolve a instalação de camelódromos em Londrina não é nova e sempre irá existir. Criado há nove anos para abrigar camelôs que trabalhavam em uma calçada na Avenida Leste-Oeste e em um trecho interrompido na Avenida São Paulo (em frente ao Terminal Urbano) a transferência sempre foi alvo de críticas. Se por um lado os comerciantes formais atacam a iniciativa sob a alegação de concorrência desleal e de venda de produtos contrabandeados e pirateados, também há que se frisar que a formalização dos pequenos comerciantes é positiva.
Atualmente, não só o Paraguai é centro de comércio de produtos ilegais. Itens irregulares são vendidos em várias cidades brasileiras e, inclusive, até com certa frequência são desbaratadas fábricas clandestinas de DVDs e CDs piratas. No entanto, se a cidade se tornou ''capital da pirataria'', como afirmou o delegado do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) do Paraná, também é importante salientar que cada setor - inclusive consumidores - deve assumir a sua parcela de culpa. A responsabilidade não deve ser atribuída apenas às administrações municipais passadas que sustentaram a instalação dos vários shoppings populares.
Levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro indica que a pirataria movimenta cerca de US$ 2,2 bilhões por ano e, ao mesmo tempo, gera perdas de R$ 40 bilhões de impostos não arrecadados e provoca perda de 2 milhões de empregos formais. Indústrias de roupas, discos, brinquedos e cigarros perdem quase R$ 6 bilhões com a ilegalidade, sendo que a indústria têxtil perde 20% das suas vendas.
A pirataria é danosa à economia formal e, por isso, deve ser coibida. No entanto, além de campanhas educativas, é preciso fiscalização. Blitze montadas com integrantes de todos os órgãos competentes devem ser constantes. Barreiras nas estradas, já que Londrina é corredor de passagem entre a fronteira e São Paulo, são importantes, mas também é fundamental que se fiscalize os pontos de comércio nas ruas, que são conhecidos, e que há tempos não recebe uma grande fiscalização, como a que ocorreu em julho de 2007. Enquanto cada envolvido na questão não assumir a sua culpa o cenário certamente não será modificado.

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