David Mendonça Portes, 45 anos, nascido em Bom Jesus de Itabapoana, no Espírito Santo, e que só estudou até a sétima série, deu-se muito bem no Rio de Janeiro, onde montou uma ''banca de doces'' na avenida Presidente Wilson, em frente à Academia Brasileira de Letras. As técnicas de marketing que utiliza, no entanto, de uma simplicidade franciscana, mas de altíssima eficácia, chamaram a atenção de intelectuais e empresários, que o elegeram o ''guru'' do momento.
Quando começou, há 14 anos, nada parecia indicar onde poderia chegar. Demitido do posto de motorista de caminhão da Polygram Discos, despejado de onde morava e com a mulher no oitavo mês de gravidez, David achou que era hora de arriscar. ''Peguei R$ 12 emprestados com o porteiro do prédio onde dormia'', conta, ''e comprei doces para revender''. Em poucos minutos vendeu tudo. ''Dobrei o capital, paguei o que devia e fui em frente'', lembra. ''Não parei nunca mais''.
Hoje, sua barraca continua tão atrativa quanto antes, mas o dono pouco aparece por lá. Não tem tempo, pois faz cerca de 20 palestras por mês em todo o país, inclusive em Londrina, onde estará no próximo dia 27 de novembro, para uma apresentação no Teatro Marista. Mas seu rendimento já é o de um empresário de sucesso cobra R$ 5 mil por palestra , o que lhe permitiu comprar um Golf e um Audi, além de manter os negócios sempre em alta. Sua banca, considerada o mais bem sucedido ponto da economia informal brasileira, fatura de R$ 600 a R$ 700 por dia.
A receita desse sucesso é muito simples. Basicamente, procura atender bem seus clientes e cativá-los com alegria, boas idéias e promoções. Uma delas fez história: David oferecia brindes (bombons e merengues) a quem lhe trouxesse 50 mosquitos transmissores da dengue mortos. Com isso, cooperou com o ''extermínio'' na cidade de aproximadamente três mil mosquitos. Mas ele se preocupa também em ouvir os clientes. E foi assim que descobriu a ''fome das três da tarde'', justo na hora em que as pessoas não podiam sair do trabalho. Para conquistar esse mercado, inaugurou um serviço de entrega, recebendo pedidos pelo telefone público instalado perto da barraca. Logo que pôde, comprou um celular. Hoje, está até na Internet, com um serviço de e-commerce.

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