16 de setembro, Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. 16 de setembro, 20 anos do Protocolo de Montreal, tratado assinado para eliminar o uso de substâncias nocivas à camada de ozônio. A data, simbólica, traz bons motivos para comemorar. E se conscientizar. Em entrevista à FOLHA, Josilene Ferrer, coordenadora do Programa de Prevenção à Destruição da Camada de Ozônio de São Paulo (Prozonesp) avalia como positiva a atuação de empresas e indústrias na redução da emissão de gases que destroem a proteção da Terra da radiação nociva do sol. E aposta na somatória de esforços - do cidadão comum, também -, para progressos ainda maiores.

O processo mundial de substituição das substâncias que destroem a camada de ozônio está contribuindo para a diminuição do crescimento do ''buraco''?
Sim. No Brasil, em especial em São Paulo - que é responsável por cerca de 50% dos gases refrigerantes que destroem o ozônio -, o segmento empresarial e industrial tem se mostrado bastante pró-ativo. Temos a legislação do Conama nº 267, de 2000, que preconizou o fim da importação desses gases até 2007. O universo empresarial se mobilizou e está divulgando amplamente nas revistas esse tipo de informação. O próprio mercado sinaliza quando da possível entrada de contrabando. O cenário é positivo, temos um processo de redução.

Nesse cenário, o que podemos esperar?
O CFC (gás que destrói a camada de ozônio) está banido, sua importação está banida, sendo que seu consumo ainda é permitido, desde que controlado. Agora vamos entrar num outro nível de desafio, que é banir o HCFC, que ainda tem um universo muito largo de utilização, até 2040. No primeiro mundo, já há essa mobilização e a tendência que sentimos, no Brasil, é que talvez haja uma antecipação desse prazo, de 2040 para 2030. Se não houver essa resposta, no ano que vem, pelo Protocolo de Montreal, é provável que o governo brasileiro se mobilize em torno de um novo prazo.

Em recente entrevista, o secretário do Ozônio na ONU, Marco Gonzáles, afirmou que, entre 2049 e 2075, a camada de ozônio estará recuperada nos níveis anteriores aos anos de 1980...
Há um esforço internacional muito grande. Os mercados de primeiro mundo, por exemplo, são extremamente exigentes. Quem exporta para esses países deve cumprir regras rigorosas. Alguns desses gases sofrem muita rejeição, seja pela questão da camada de ozônio ou por aumentarem o efeito estufa. Nesse universo de países de primeiro mundo, essa substituição é mais rápida.

E onde está o problema?
Nos países mais pobres, com certeza. São países que mantêm um carro rodando 20 anos após sua fabricação, onde o ar condicionado funciona há mais tempo, onde não se troca a geladeira. Um mundo com menor poder aquisitivo, onde a substituição é mais complicada.

A postura da ONU não tem melhorado esse quadro?
A ONU investiu dinheiro de uma forma muito ativa. O programa da ONU para Desenvolvimento está agindo, como agiu no Brasil. Diante disso, acredito que possamos chegar no fim desse século com a camada de ozônio recuperada, o que vai ser um benefício enorme para a saúde de todos nós.

O que falta, de fato, para essa consolidação do trabalho?
Temos que aproveitar todo conhecimento para a nova fase desse processo. O cidadão comum, por exemplo, ao consertar a geladeira ou fazer a manutenção de um ar condicionado, deve dar preferência a profissionais treinados. Temos muitas oficinas, em São Paulo, no Paraná, no Brasil, que já têm a máquina recicladora. Se o gás pode ser reaproveitado, por que não recorrer ao profissional treinado?

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