''É tão difícil escolher um curso quando se tem 17 anos de idade'', comenta Vânio Bitencourt, cabelereiro de chiques e famosos em Londrina. Por não saber bem o que escolher, acabou optando por direito, porque, ''desde pequeno, achava a profissão bonita''. Embora tenha concluído a faculdade, logo percebeu que não tinha nada a ver com a área.
Enquanto procurava alternativas de estudo, era caixa em um banco, onde atuou por oito anos. Dessa fase, lembra-se que trabalhava, olhando para o relógio e, no domingo, sofria por antecipação. Um dia, cortando o cabelo com um amigo, viu um cartaz, exposto no salão, sobre um curso de maquiagem e resolveu fazê-lo, encontrando na área de estética e beleza a sua vocação. Restava, contudo, ter coragem para dar a virada. Afinal, mesmo que se sentisse frustrado, usufruía de estabilidade financeira. Até que ponto isso não seria o mais importante? Resolveu arriscar e largou tudo em 1993, tornando-se cabelereiro.
''Meu pai quase teve um infarte'', recorda-se. Sua mãe, por outro lado, numa época em que se falava muito em crise, alarmava-se: ''Isso não é hora para sair do banco''. Vânio, no entanto, continuou determinado e prosseguiu na mudança, demorando cerca de dois anos para começar a ter o mesmo rendimento anterior.
''É muito importante fazer o que se gosta'', afirma, com conhecimento de causa. ''O dinheiro é consequência.'' Hoje, Vânio não vive mais de olho no relógio, e trabalha, com prazerosa disposição, cerca de 10 horas por dia. ''Fico cansado fisicamente, mas nunca irritado ou estressado.''

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