Minha luta maior ao longo dos últimos dez anos sempre foi pela volta da cafeicultura e pela fruticultura no Paraná, objetivando, com a recuperação e o incremento dessas atividades, a geração de riquezas e de empregos. Na campanha para prefeito de Londrina, em 1996, como vice do deputado José Tavares, também apregoei para o município a retomada do café, pois a cada 1.000 hectares plantados geram-se 500 empregos no campo.
Certamente reconhecendo a importância do assunto, o atual governo do Paraná lançou um programa para o retorno da cafeicultura. A idéia é ótima e necessária, mas está sendo divulgada através de uma campanha que requer reparos. Não posso concordar com a propaganda veiculada pela TV, pois o governo do Estado está fazendo propaganda irreal sobre o café.
O governo diz que a produção paranaense de café aumentou, de 1995 até o momento, 12 vezes. Isso precisa ser explicado: em 1994, quando fui secretário de Estado da Agricultura, a produção de café, que era de 1.500.000 sacas, foi extremamente prejudicada pela geada. Tanto que em 1995 caiu para apenas 350.000 sacas. Portanto, na propaganda o governo usa como base desse ‘‘aumento’’ o ano em que não houve produção!
A verdade é que o aumento de produção da cultura aconteceu
devido à introdução do sistema de café adensado, lançado na minha gestão na presidência da Sociedade Rural do Paraná, em 1993. Plantamos café adensado na Via Rural, dentro do Parque Ney Braga, em Londrina. Os cafeicultores viram a nova tecnologia, gostaram e muitos adotaram a idéia.
Dois anos depois, o resultado do adensado foi notável: a produtividade média alcançou 45 sacas beneficiadas por hectare; três anos depois, o café adensado surpreendeu ainda mais, chegando a produzir 70 sacas por hectare. Para comparativo, é necessário lembrar que o sistema convencional (café velho) produz apenas 18 sacas por hectare do produto beneficiado.
Atualmente, o Paraná tem 160.000 hectares de café. Foram plantados, no último ano, em torno de 15.000 hectares, mas esse número não pode ser computado como aumento, pois a maior parte foi destinada à reposição do café velho arrancado, através do sistema adensado. O plantio de café dos últimos anos não criou áreas novas no Paraná.
O estímulo ao café é até mais antigo no Estado. Em 1994, na minha gestão como secretário, o governo, com recursos da secretaria da Agricultura, plantou 700 unidades de 1 hectare cada no Paraná, com café adensado. Toda a região produtora foi beneficiada. Nosso objetivo era a difusão da tecnologia. Hoje é possível ver como estávamos certos. O programa deu muito bons resultados.
Essa é a verdade. Espero que o governo continue com o programa do café, mas sem criar ilusões perante a opinião pública e o povo do Paraná.

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