Até as primeiras décadas do século 20, São Paulo era o maior produtor de café entre os estados brasileiros. Mas a partir de 1960, o Paraná não só ultrapassou essa posição como assumiu lugar de destaque na produção mundial do fruto. O cenário se manteve até julho de 1975, quando a ocorrência de uma forte geada dizimou os cafezais paranaenses, encerrando o ciclo econômico do café no Estado.

Hoje, a cultura cafeeira ocupa cerca de 26 mil hectares no Paraná, que rendem perto de 1 milhão de sacas anuais. Mas isso pode aumentar. A Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), por meio da sua Comissão Técnica (CT) de Cafeicultura, lançou o Programa de Revitalização da Cafeicultura Paranaense.

A proposta tem como principais objetivos promover a rentabilidade dos cafeicultores e melhorar a estrutura de produção, visando maior sustentabilidade dessa cadeia. A ideia é justamente aproveitar esse momento de preços atrativos do café para dar incremento à atividade.

No ano passado, o preço mundial do café subiu 38,8% em comparação com a média de 2023, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). A alta do preço é uma resposta aos problemas climáticos que prejudicaram a oferta, além do aumento do consumo da bebida - tendência percebida, por exemplo, na China.

Uma das ferramentas previstas para o programa de revitalização da Faep envolve a oferta de assistência técnica para os cafeicultores paranaenses, de forma a elevar o nível técnico das propriedades, profissionalizar ainda mais a cadeira da cafeicultura, aumentar a qualidade do produto e investir em genética.

A comissão técnica da Faep está conversando com municípios produtores para levantar as necessidades e um plano de ação será apresentado em um encontro de cafeicultores que acontecerá durante a ExpoLondrina, em abril.

Investir em um programa de revitalização da cafeicultura é extremamente interessante porque o Paraná tem uma tradição centenária nessa área. Ela pode ser uma alternativa sustentável para pequenos e médios produtores que enfrentam desafios em outras culturas, lembrando que um programa de incentivo tem o poder de estimular a diversificação da produção, reduzindo a vulnerabilidade econômica dessas famílias.

Com incentivos para técnicas modernas de plantio e manejo, o Estado pode se tornar referência em qualidade e agregar valor à produção. Além disso, a cafeicultura tem condições de ser uma aliada da conservação ambiental, especialmente com práticas agroflorestais, garantindo benefícios econômicos e ambientais.

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