Café paranaense José Fernandes Jardim Júnior A cultura do café, que durante a última década retornou com força total à economia do Paraná graças à adoção de novas tecnologias de plantio, precisa avançar rapidamente em qualidade para tirar proveito das boas oportunidades que despontam no mercado internacional. Aliás, progressos importantes têm havido neste sentido e o Estado, aos poucos, vai conseguindo livrar-se da pecha, antiga por sinal, de que não produz café à altura dos mercados mais exigentes. O resultado das últimas safras, entretanto, mostra que o café paranaense é outro; os cafeicultores, ou pelo menos grande parte deles, têm procurado investir no trato da cultura seguindo à risca as orientações técnicas, visando com isto explorar todo o potencial da lavoura. E, ao lado da maior produtividade, práticas como a colheita ‘‘no pano’’ e a secagem utilizando terreiros suspensos têm ajudado, sem dúvida, na obtenção de uma melhor qualidade. Mas quando se fala em qualidade, é preciso entender o que se passa no exigente e cada vez mais seletivo mercado internacional. Uma coisa é produzir café apenas ‘‘de qualidade’’; outra é oferecer aos compradores um produto diferenciado, indiscutivelmente superior. O mercado para esse tipo de café é garantido porque os consumidores do Primeiro Mundo (Estados Unidos, principalmente, que são os nossos maiores clientes) já se acostumaram ao padrão do café ‘‘gourmet’’ e não aceitam nada que seja abaixo disso. Há poucas semanas, lotes de cafés especiais do Brasil foram exportados a valores próximos de R$ 600 a saca – acreditem (incluindo aí um apreciável ágio) – o que premia seus produtores e comprova a existência de um segmento de mercado que, para ter o melhor, não se importa em pagar mais caro por isto. O café é uma cultura de grande importância, sobretudo para as pequenas propriedades que se utilizam de mão-de-obra familiar, porque constitui opção viável para a sobrevivência desses minifúndios, onde as lavouras são conduzidas caprichosamente, com todo o esmero, assim como a colheita e as práticas seguintes. Nesse caso, a produção de um café superior pode significar uma receita que, com certeza, vai tornar a cultura ainda mais importante na economia dessas pequenas áreas produtivas, as quais já abrigam a maior parte da cafeicultura estadual. E para que os agricultores atinjam esse nível é preciso que todos – governo e setores envolvidos na cadeia produtiva – invistam, em primeiro lugar, no indispensável aprimoramento dos produtores e técnicos; e, em segundo, num projeto que faça o marketing da cafeicultura paranaense junto aos mercados que se pretende alcançar. É preciso não só produzir um café de qualidade superior, mas propagar isto aos quatro ventos e procurar construir uma imagem sólida junto ao mercado. Apesar de serem os maiores produtores de café do Planeta, oferecendo um produto de excelência aos consumidores, os brasileiros acordaram tarde para essa necessidade de trabalhar a imagem junto aos países compradores, onde só a Colômbia é conhecida. Pudera: há quarenta anos os colombianos investem pesado na propaganda de seu café e, com isto, tornaram-se um referencial no setor. Por esta razão, desde há muito tempo, quando se fala em café lá fora, a primeira imagem que vem à cabeça é a do produto colombiano. A economia cafeeira do Paraná deve, portanto, desenvolver-se em todos os aspectos possíveis e, de forma planejada e inteligente, aproveitar as oportunidades que lhe são oferecidas. - JOSÉ FERNANDES JARDIM JÚNIOR, engenheiro agrônomo, é vice-presidente da Cocamar e foi presidente da Emater/PR entre 1987/88

mockup