Cães ajudam crianças obesas a emagrecer
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domingo, 30 de outubro de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - ''Vamos, hoje é dia de consulta. Meu amigo está me esperando''. Nem a mãe de Giovanna Schischoff, de 10 anos, acreditou quando ouviu o ultimato da filha. Pela primeira vez, ela mostrava que não queria perder o horário de sua consulta no tratamento para emagrecer. Os responsáveis por esse milagre são os cães Sammy (uma mistura de labrador com golden retriever), Budy e Weiser (dois golden), Zeca (um yorkshire) e Tica (vira-latas), que junto com outros cachorros ''voluntários'' vêm sendo usados como suporte no tratamento de obesidade para crianças entre três e oito anos.
A idéia de utilizar os cães partiu de professores dos cursos de Nutrição e Terapia Ocupacional da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Alguns docentes, que atuam como voluntários no projeto Cão Amigo & Cia., lançaram a idéia de estender o trabalho da entidade para a Clínica de Nutrição da UTP. Assim, no dia 13 de maio deste ano, professores, crianças, mães, cachorros e seus donos deram início a um projeto pioneiro no Brasil.
''O cão tem um papel importante como suporte emocional, porque ele tem aceitação incondicional, não interessa se a pessoa é gordinha, feia. Só o olhar dele já faz bem'', diz a psicóloga Manuella Maciel, que há dois anos fundou o Cão Amigo, projeto que prevê a Terapia Assistida por Animais (TAA), não necessariamente cães, em asilos, escolas especiais e lares para crianças, com sede em Curitiba.
Para a professora Mônica de Caldas Rosa dos Anjos, coordenadora da Clínica de Nutrição, um dos ganhos com o uso dos cães foi fazer com que as crianças passassem a gostar das consultas. ''Para a criança a consulta é uma coisa chata. Ela já tem a pressão de casa para emagrecer, tem que se pesar, depois parar de comer coisas que ela gosta. Com o cão, ela se sente mais à vontade, não vem mais para o tratamento, vem ver os cães e aproveita para fazer o tratamento.''
A afirmação cai como uma luva para Gustavo, de 7 anos. ''Ele tinha medo da hora da balança. Se engordava em uma semana, ficava com vergonha de vir na próxima consulta'', conta a mãe Marilene Szczypior. O filho concorda. ''Dá vontade de vir, é mais divertido.''
Mônica explica que, basicamente, o tratamento consiste em consulta a cada seis meses, com uma hora de duração e pesagem. ''Não trabalhamos com a perda de peso, mas com a melhora dos hábitos alimentares e a adequação de peso e altura.'' Nas consultas, é exigida a presença das pessoas que convivem com a criança, para que também aprendam os novos conceitos.
''O objetivo é mudar os hábitos de vida e alimentar de toda família'', explica a terapeuta ocupacional Andréa Fedeger, ressaltando que é necessário ver a forma como a mãe cozinha, a rotina alimentar e de atividades da família. Para isso, a terapia inclui atividades que ensinam a família a comer na mesa e não em frente à televisão, por exemplo, a cozinhar com menos gordura e trocar refrigerantes por água ou suco, entre outras adequações.


