Cada vez mais empresas publicam balanço social
A responsabilidade social corporativa já movimenta cerca de R$ 5 bilhões ao ano no Brasil. É mais do que os orçamentos dos ministérios da Segurança Alimentar e da Assistência e Promoção Social que, juntos, têm R$ 3 bilhões para investir neste ano. Um dos indicadores dessa tendência é o aumento do número de empresas que publicam balanços sociais, os relatórios que explicam os investimentos sociais a exemplo das demonstrações financeiras das companhias abertas. Em 1997, apenas 14 empresas publicaram balanços sociais este ano, o número já passa de 300.
Em alguns casos, as publicações são produzidas com uma tal qualidade gráfica que é de se questionar a intenção das ações. ''Há empresas que gastam mais para divulgar suas ações do que com as próprias ações'', avalia o consultor de balanço social Roberto Gonzalez, diretor de Estratégia Social da Corp Brasil.
''Muitas empresas enxergam a responsabilidade social como um belo nicho de mercado'', acrescenta Paulo Nassar, presidente-executivo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). Mas Gonzalez diz que, em geral, tem havido uma evolução grande da qualidade dos balanços: ''No início, havia muita foto e pouco conteúdo. Agora, é cada vez maior o número de empresas que adotam modelos padronizados''.
De acordo com pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre Ação Social das Empresas, realizada em 2000 e considerada o mais completo levantamento sobre responsabilidade empresarial no País, 59% das empresas com um ou mais empregados já realizou ou realiza algum tipo de ação social em caráter voluntário. Para 66% das empresas, essa é uma prática habitual. A participação é maior entre as grandes empresas (88%), mas a atuação das micro e pequenas não é desprezível: 54% das empresas com até 10 funcionários, e 69% das com 11 a 100 funcionários dão sua contribuição.
''A responsabilidade passou a ser fator de competitividade'', afirma a socióloga Anna Maria Peliano, coordenadora do núcleo de estudos de políticas públicas não-estatais do Ipea e responsável pela pesquisa.





