Buscas podem encontrar ossadas de guerrilheiros
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quarta-feira, 01 de agosto de 2001
Alexandre Palmar<BR>Enviado a Nova Aurora 
A Comissão de Direitos da Humanos (CDH), do Ministério da Justiça, inicia hoje uma expedição para procurar os restos mortais de guerrilheiros desaparecidos no Paraná durante a ditadura militar. A busca foi organizada após o órgão reunir várias informações indicando uma fazenda em Nova Aurora (61 km ao norte de Cascavel) como local onde um grupo teria sido enterrado.
O trabalho pode esclarecer o desaparecimento de um argentino e seis brasileiros, remanescentes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que saíram da Argentina para promover ações armadas no Estado, em 1974. Desde então, teorias tentam explicar o paradeiro dos militantes, supostamente capturados e torturados pelos militares, mas não chegam a um veredito por causa da falta dos corpos.
A escavação será feita por uma equipe dos Estudios de Antropologia da Argentina, contratada pela CDH e pelo Ministério da Justiça. A região a ser escavada fica à margem da PR-239. A área abrigava, na década de 70, uma pista de pouso utilizada pelas Forças Armadas, porém hoje tem uma plantação de trigo.
Ontem à tarde, o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), integrante da CDH, e a representante dos familiares de desaparecidos políticos na CDH, Susana Lisboa, chegaram a Foz do Iguaçu. Hoje, eles viajam para Nova Aurora. Também desembarcaram na fronteira uma filha e uma irmã das vítimas políticas.
Em caso de êxito, os parentes dos perseguidos políticos, enfim, poderão oficializar a morte dos membros da VPR Onofre Pinto, Daniel José de Carvalho, José Lavechia, Joel José de Carvalho (irmão de Daniel), Vítor Ramos e provavelmente Gilberto Faria Lima, além do argentino Enrique Ernesto Ruggia.
Eles supostamente foram traídos pelo ex-sargento da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, Albery Vieira dos Santos. O cadáver do suposto traidor foi encontrado no Oeste do Paraná em 11 de fevereiro de 1979, numa prpropriedade entre Missal e Medianeira.
A trajetória do grupo teve início quando os perseguidos políticos planejavam entrar no Brasil através de Santo Antônio do Sudoeste (97 km a oeste de Francisco Beltrão, na fronteira com a Argentina). Registros históricos apontam que os guerrilheiros ingressaram no Paraná em meados de julho de 1974, porém seus companheiros jamais conseguiram fazer contato em território nacional.
Há pouco mais de um ano, entretanto, um ex-líder do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) recebeu pistas de um militar arrependido revelando a provável localização dos restos mortais. Em de 4 de junho de 2000, a Folha do Paraná/Folha de Londrina publicou reportagem sobre o desaparecimento do grupo. Nela, o jornalista Aluízio Ferreira Palmar, 58 anos, ex-líder do MR-8 e da VPR, contou a história de seus companheiros.
O revolucionário suspeitava que as vítimas das ditaduras sul-americanas haviam sido enterradas num sítio entre Matelândia e Medianeira (municípios do Extremo-Oeste do Paraná). Semanas depois da publicação, Aluízio começou a receber ligações telefônicas de um ex-militar do Exército, residente em Curitiba, que apontou a cidade de Nova Aurora como destino para desaparecidos.


