BUSCA PELA PERFEIÇÃO - Vícios são ameaça a sucesso de plásticas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Paula Costa Bonini<BR> Reportagem Local 
A busca pelo corpo perfeito tem na cirurgia plástica um de seus maiores aliados. No entanto, para se submeter a um procedimento estético é preciso tomar uma série de cuidados para que o sonho não se transforme em pesadelo. Ficar longe dos vícios é uma das principais precauções recomendadas.
O consumo de tabaco, álcool e drogas prejudica a recuperação e a cicatrização no pós-operatório. E aumenta a probabilidade de aparecimento de doenças, como a trombose. Por isso, é tão importante que o paciente informe corretamente sobre seus hábitos, inclusive acerca do consumo de álcool, cigarro e de outras drogas.
O alerta é do cirurgião Henrique Marquezine, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Segundo ele, outro cuidado importante é escolher um profissional de confiança e não escolher somente pelo preço, para evitar o que ele classifica como ''leilão com a própria vida.''
Quais são os prejuízos provocados pelo uso de drogas, bebidas alcoólicas e cigarro para pacientes que se submetem a cirurgia plástica?
O tabagismo, por exemplo, diminui a chegada do sangue até o local da cirurgia, o que aumenta o risco de complicações. Além disso, o paciente fica anestesiado, o que prejudica a condição pulmonar, que vai ajudar na recuperação. Quem fuma tem a cicatrização comprometida. Além disso, cresce a probabilidade do aparecimento de trombose.
No pré-operatório o médico questiona se o paciente usa drogas ou ingere bebida alcoólica, pois isso influencia na anestesia. A substância da droga pode interagir com a medicação utilizada na anestesia, podendo levar o paciente até a uma parada cardiorrespiratória. Há pessoas, inclusive famosas, que tiveram complicações na cirurgia porque omitiram que usavam cocaína e outras substâncias.
Quais cuidados o senhor recomenda aos pacientes?
O primeiro cuidado é na escolha do cirurgião. Existem muitos profissionais não habilitados fazendo cirurgias plásticas. O paciente deve entrar no site da SBCP (www.cirurgiaplastica.org.br) e verificar se o nome do seu médico está lá. Também é importante buscar referências do profissional.
Além disso, o paciente tem que ter empatia com o médico e sentir que ele passa segurança. Muita gente acaba escolhendo o profissional de acordo com o preço, fazendo uma espécie de leilão com a própria vida. E os procedimentos devem ser realizados em locais adequados. Os de maior porte devem acontecer em hospitais.
O índice de complicações graves em uma lipoaspiração, por exemplo, realizada de acordo com as normas de segurança, é de um para 50 mil. Os riscos são pequenos por se tratar de cirurgia eletiva e não de urgência.
Crianças também podem passar por procedimentos estéticos?
De modo geral, não existe uma idade certa para a pessoa ser submetida a uma plástica. Mas cada procedimento tem suas especificidades. Tratando-se de crianças, um problema que eu acho que as pessoas não dão a devida atenção é a orelha de abano. A criança que tem orelha de abano pode se tornar um adulto traumatizado e retraído socialmente por ter sofrido bullying. Outro problema que merece atenção, que é mais comum na adolescência, é a ginecomastia (aumento mamário nos homens). A criança pode ser submetida a essas e outras cirurgias reparadoras de acordo com a necessidade.
Qualquer pessoa pode fazer lipoaspiração?
Antes a pessoa deve ser avaliada pelo cirurgião. Existem pacientes que têm distúrbio da própria imagem. Cabe ao médico ter bom senso para dosar qual é o limite. A palavra mais importante quando se fala em cirurgia plástica é expectativa. Por isso, o médico deve explicar o que é possível ser feito e quais resultados podem ser alcançados.


