O compromisso do presidente Michel Temer (PMDB) de fazer uma força-tarefa para destravar obras inacabadas ainda não saiu do papel. O anúncio da retomada foi feito em julho e a demora para colocar o plano em andamento acontece porque o governo não definiu quais projetos serão escolhidos primeiramente. Além disso, o Senado não criou uma comissão para analisar essas obras. O Ministério do Planejamento fez um levantamento inicial e calcula que há mais de 1.500 obras inacabadas no valor de até R$ 10 milhões. Mas a pasta ainda não indicou quais são as prioritárias. No Senado, faltam três nomes para completar a lista de nove membros que farão parte da comissão. Por enquanto, estão indicados os congressistas Ataídes Oliveira (PSDB-TO), Humberto Costa (PT-PE), Telmário Mota (PDT-RR), Hélio José (PMDB-DF), Elmano Férrer (PTB-PI) e Roberto Muniz (PP-BA). Os partidos que ainda não indicaram representantes são PMDB, DEM e o bloco formado por PPS, PSB, PCdoB e Rede. Tudo indica que a comissão será instalada somente depois do segundo turno das eleições municipais, quando os senadores que ainda estão em campanha em suas bases eleitorais retornarão para Brasília. As obras já estão previstas e orçadas, mas antes de definir as prioridades, o Ministério do Planejamento terá que identificar os problemas que as interromperam. O presidente Temer adiantou que inicialmente serão destravadas os projetos pequenos, como creches, praças e quadras esportivas, com um custo de até R$ 500 mil. Mas há obras grandes, como a transposição do Rio São Francisco, que começou com orçamento bilionário em 2007, mas ainda não foi concluída – a previsão de término era 2014. Uma construção parada pode acabar deteriorada causando grande prejuízo financeiro. A proposta do executivo federal em retomá-las não vai apenas impactar positivamente na qualidade de vida dos municípios onde elas estão localizadas. Ela vai representar um incentivo importante para o setor da construção civil, uma das maiores geradores de emprego e renda no Brasil.

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