Burocracia em questão simples favorece dengue
A simples falta de iniciativa do poder público para recolher pneus usados pode intensificar a proliferação da dengue em Londrina. Inacreditável que, com um grande número de espaços vazios que podem ser locados, pneus superlotem borracharias e possam ser jogados em lugares expostos à chuva, acumulando água hospedeira do mosquito vetor da moléstia. O depósito público foi fechado há 15 dias porque ficou abarrotado. A causa foi a ação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente que interditou a fábrica de cimento de Bocaiúva do Sul, próxima de Curitiba, que utilizava esses pneus como combustível e deixou temporariamente de buscá-los.
Se a secretaria tem as suas razões, não se entende como o município não se empenhe no armazenamento desses pneus, o que depende apenas de simples barracões. Os borracheiros, sem ter agora onde colocar mais entulhos, ainda são ameaçados de multa pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Os fatos causam perplexidade, parecendo andar na contramão da causa principal que é evitar a proliferação do mosquito. A secretaria local informa que não é de sua competência administrar isso (o armazenamento de pneus), mas pode aplicar multas. A dengue não tem delimitação territorial, e combatê-la, sob todas as formas, é dever do Estado e dos municípios e não está vinculada a jurisdições. Esses impasses foram publicados ontem neste Jornal, e se muitos não dão importância a isso, o caso é de extrema gravidade. As duas secretarias e as demais autoridades ligadas à saúde pública e ao meio ambiente precisam pronunciar-se. Não é por que a indústria mencionada está interditada que se pare de armazenar esses pneus inservíveis. (A razão da interdição é que recebia pneus também de outros estados). Ela própria, que recebe essa carga gratuitamente, deveria providenciar mais espaço para estocá-la.
Se o poder público e a empresa que se beneficia dos pneus não são capazes de administrar um problema tão simples como este, não se poderá exigir dos borracheiros que dêem jeito de armazenar grandes quantidades, se lhes faltam espaço e recursos. É preciso menos burocracia e mais senso prático, porque é o perigo da dengue a grave causa que se está enfrentando.





