Ao analisarmos a situação das pequenas e médias empresas, percebe-se a urgência de uma Reforma tributária séria que simplifique e reduza tributos.
Hoje as queixas são muitas: número excessivo de impostos nas três esferas de governo, carga tributária pesada, burocracia criada pelo fisco e falta de capital de giro. Os vencimentos são muitos e acabam sobrecarregando as pequenas e médias empresas, que têm seu potencial capital de giro convertido em pagamentos ao Estado.
Com as grandes corporações a situação é outra, o acesso a financiamentos bancários e linhas de crédito são facilitados. Enquanto isso as pequenas continuam a padecer, tendo de recorrer a empréstimos bancários e duplicatas (pagando juros altíssimos) para honrar seus compromissos.
Uma análise mais detalhada da situação mostra que muitos vencimentos são incompatíveis com as possibilidades das empresas. O INSS, por exemplo, deve ser pago em todo dia 2, enquanto as empresas têm até o quinto dia útil para pagar os salários dos trabalhadores. Isso se complica, principalmente, no caso de empresas que fazem vendas a prazo com 30, 60 e 90 dias.
Nesta extensa lista de tributos o empresário tem de gastar muita energia neste processo. Dia 7 é dia de recolhimento do FGTS; dia 15, do PIS e Cofins, que incidem sobre o faturamento das empresas. No caso das indústrias, a maior preocupação é com o IPI, que deve ser pago a cada 10 dias. Isso sem contar o ICMS e o imposto de renda, que pode ser mensal ou trimestral.
E neste gasto de energia há uma perda concreta cerca de 1% no faturamento das empresas. Capital engolido pelas ''obrigações acessórias'' (preenchimento de guias, declarações e livros-fiscais). Tudo isso por uma burocracia injustificável, com exigências repetidas e custos que poderiam ser evitados. Segundo o IBPT Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário , são 95 obrigações a serem cumpridas pelas empresas em um ano.
Desta forma, só uma verdadeira reforma Tributária, que simplifique e diminua tributos, poderá ser aplicada com eficiência. Se isso não for feito, o Estado continuará a fazer um ''convite'' à inadimplência. O que não é nada bom para o País.
MARCOS KOSLOVSKI é empresário e presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Paraná (Sivepar)

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