Burocracia das tarifas indevidas Fernando Marrey Ferreira Os recursos de nosso povo estão sendo desviados para sustentar bancos federais e a burocracia estatal. O povo mais carente do país, os da região Norte e Nordeste, são os mais necessitados das verbas governamentais, como forma de se diminuir as desigualdades em nosso país. Não podemos continuar a ter este desnivelamento entre as regiões do sul e do norte; deve o governo, portanto, criar mecanismos de estímulo às regiões mais pobres do Brasil. Eliminar as desigualdades entre as classes sociais é uma tarefa que este governo não tem condições de realizar, está atrelado à globalização indiscriminada e irresponsável, que acentua a concentração de renda. As prioridades federais concentram-se em subsídios a banqueiros em detrimento da população mais carente do País. Recursos existem, o que ocorre é falta de visibilidade política ou pouco caso para com nossa gente. Incompetência! ‘‘Com a tarifa bancária, os fundos constitucionais de desenvolvimento da regiões Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO), e o de investimento do Nordeste (Finor) acabam sustentando o lucro, principalmente, do Banco da Amazônia (Basa) e do Banco do Nordeste (BNB)’. ‘‘Essa taxa ajuda a elevar a ineficiência do governo na aplicação dos recursos. De cada R$ 1 investido pelo Finor, apenas R$ 0,56 são aplicados. Outros R$ 0,44 vão para Bancos e Sudene. Reportagem de Ari Cipola na Folha de 13-03-00. Como se vê o dinheiro destinado à área social perde-se pelo caminho. Estas regiões pobres do Brasil, brutalmente carentes, estão bem representadas no Congresso Nacional, devem exercer pressão para que mudem esta forma de gerir os recursos públicos no Brasil. A pobreza praticamente não aparece na mídia, é mais fácil esquecer o povo miserável e largá-los ao relento. Este governo escarra regras de eficiência comercial, abrindo indiscriminadamente nossa economia, primordialmente favorece o setor financeiro socorrendo qualquer banqueiro que esteja na iminência de quebrar, exige que governos estaduais privatizem seus bancos. Na esfera federal, entretanto, não dão exemplo de boa gestão para o povo da terra, os mais carentes, os que estão impossibilitados de ler este artigo, pois são analfabetos. O estilo de governar desta gente que está no comando do poder central de nosso país é altamente prejudicial ao próprio povo governado. Gabam-se de ter exterminado a inflação e exalam esta virtude de forma exacerbada. Temos muito por fazer neste país de tantas contradições, o livre mercado não é capaz de dar dignidade ao povo mais necessitado. Medidas intervencionistas concretas devem existir para minimizar o sofrimento do povo. Com este confisco bancário comprometem a agricultura familiar, base de sustentação da maioria das famílias do sertão. O povo destas regiões está coberto de razão quando ocupa fazendas improdutivas ou terras do Estado. O estado de necessidade atenua a gravidade destas ações, justificando-as. O povo deve ser guiado a exercer seus direitos, as lideranças politizadas devem mostrar o caminho, acirrando a luta social por dignidade. Quando estas lideranças unirem-se, passando a exercer ações conjuntas em todo o país, o povo vai ficar incontrolável, tornando impossível qualquer controle governamental contra uma massa enfurecida. FERNANDO MARREY FERREIRA é advogado, especialista em Integração Regional e especializando-se em Jornalismo Internacional na PUC-SP E-mail [email protected]

mockup