Um estudo divulgado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) mostrou que crianças e adolescentes vítimas de bullying encontram na escola o ambiente mais hostil para a prática desse tipo de violência física ou psicológica. Infelizmente, a prática é mais comum do que se pensa e, no Brasil, quase 18% dos alunos com idade de 15 anos já sofreram algum tipo de bullying. O índice se refere aos alunos que participaram do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Pisa.

O relatório da Unicef, An Everyday Lesson: #ENDviolence in Schools, que em uma tradução livre para o português significa Uma lição diária: Pelo fim da violência nas escolas, afirma que a violência entre colegas ocupa um papel dominante na educação de jovens em todo o mundo. A agressão sofrida no ambiente escolar, física ou psicológica, tem impacto na aprendizagem e no bem-estar dos estudantes, independentemente de residirem em países pobres ou ricos.

Na pesquisa, o Unicef identificou uma grande variedade de formas de violência enfrentadas pelos estudantes dentro ou no entorno da sala de aula. Um em cada três alunos de 13 a 15 anos de idade é vítima de bullying e a mesma proporção tem histórico de agressões físicas. O número de jovens que admitiram ter praticado bullying com os colegas também é grande. Trinta por cento dos estudantes entrevistados (de 39 países industrializados) disseram que já intimidaram ou praticaram violência física ou psicológica contra colegas.

Embora o risco de sofrer bullying seja o mesmo tanto para meninos quanto para meninas, as meninas são mais propensas a sofrer violência psicológica e, entre os meninos, é maior o risco da violência física e ameaças, apontou o estudo do Unicef. Segundo a entidade, todos os dias são relatados casos em que as crianças e adolescentes enfrentam brigas, pressão para participar de gangues, intimidação (incluindo on-line), assédio sexual, disciplina violenta e violência armada. Em curto prazo, isso afeta o aprendizado e, em longo prazo, pode levar à depressão, à ansiedade e até ao suicídio.

Uma experiência escolar positiva e feliz é determinante para a construção de uma vida de sucesso na universidade e profissionalmente. Nesse sentido, escolas e famílias devem prestar atenção ao comportamento de crianças e jovens, mantendo a comunicação aberta. O diálogo e a prevenção são importantes armas contra o bullying. É preciso quebrar o silêncio.

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