Bullying e eventualidade de rever metodologias
O professor não está completamente preparado para lidar com o problema do bullying nas escolas do ensino fundamental e médio. Palavras da professora Marlei Fernandes Carvalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná, a APP-Sindicato. E se não sabe lidar, não levará o aluno a evitar isso. O bullying é um termo inglês que define as agressões mútuas físicas, verbais ou outras entre alunos, no âmbito das escolas.
Pesquisa feita em Curitiba, Goiania, Governador Valadares e Teresina atesta que 70% dos estudantes já agrediram ou foram agredidos, na escola, no mínimo por xingamentos ou apelidos depreciativos. A escola é um dos pilares da formação do individuo, e se ela não tem uma metodologia que vise corrigir ou ao menos atenuar esse mal, então poucas esperanças restam de que, por essa via educacional, sejam forjados cidadãos que não sejam igualmente agressivos na idade adulta.
Alunos não estão apenas agredindo-se mutuamente mas também agredindo professores e depredando o próprio estabelecimento onde estudam. O bullying é uma brutalidade e ocorre sem motivação evidente, mostrando o comportamento violento dessa maioria de jovens, que se agem por índole tambem não encontram na escola um sistema que os sensibilizem a evitar esse impulso. Essas reações podem resultar do tédio que as escolas representam para os alunos, do excesso de tempo a que ficam no ambiente escolar, de pedagogias ultrapassadas, de aulas enfadonhas que pouco ou nada acrescentam ao estudante, enfim uma desintonia entre professores bem mais velhos e alunos jovens, com outra cabeça e cujos códigos não batem. A realidade é que poucos estudantes nessa faixa gostam da escola. Para eles melhor seria estar longe dessa obrigação, e no geral eles não têm grande rendimento nos estudos.
Dessa insuficiência educacional, que parece demandar uma revolução de metodologias até pela opinião de proeminentes pedagogos o que se produzirá serão pessoas de baixa responsabilidade, passíveis de enveredar para as drogas, a violência e outros ilícitos sociais, e no futuro serem por consequência maus cidadãos. O relevante não é conhecer índices do bullying e sim porque é praticado. Provalmente há falhas também dos educadores e de seus métodos. Talvez deva-se examinar não só o que se ensina mas o que se está deixando de ensinar, e também perguntar ao aluno o que ele quer aprender.





