Brincar exige concentração, desenvolve a iniciativa e o interesse. É o mais completo dos processos educativos pois influencia o intelecto, o emocional e o corpo das crianças. É tão importante que o direito de brincar foi reconhecido no princípio 7 da Declaração dos Direitos da Criança, adaptada pela Assembléia Geral da ONU a 30 de novembro de 1959, e é considerado tão fundamental para a criança quanto o direito à saúde, segurança e educação.
Autora do livro Psicologia do Brinquedo, a psicóloga Maria Aparecida Trevisan Zamberlan afirma que hoje as crianças brincam de modo diferente e em contextos diferentes. ''Brincam no shopping center já que na rua não podem mais'', diz. ''Se tempos atrás as crianças brincavam de faz de conta, brincadeiras fantasiosas, quando a vida não era tão industrializada, hoje elas se ajustam ao novo modo de viver.''
Na opinião da psicóloga, os adultos criaram um novo padrão de infância. ''A infância foi alterada a partir das necessidades dos adultos, de uma sociedade consumista, capitalista. E que vai encurtando cada vez mais esse período da vida.'' O que fazer para reverter esse processo? ''Temos elaborado estratégias preventivas, recuperando espaços dentro das escolas, nas praças, desenvolvendo projetos educativos para garantir coisas que as crianças não têm hoje'', diz Maria Aparecida Zamberlan. Com pós-doutorado em psicologia do desenvolvimento, a professora conclui: ''Temos que montar um processo de intervenção para recuperar o que era natural e não é mais''.

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