Uma brincadeira perigosa de meninos pode agora levá-los à responder por esse ato na Justiça. O uso de cerol – mistura de cola e vidro moído na linha para soltar pipa – passou a merecer mais atenção da polícia após a morte de um motociclista em Maringá. Semanas antes, uma criança teve o pescoço cortado por cerol em Arapongas, no Norte do Paraná, quando transportada pelo pai na garupa de uma bicicleta.
  Foi preciso uma vida ser perdida para que essa brincadeira perigosa, há muito praticada por alguns garotos, passasse a ser vigiada como algo que põe em risco a segurança das pessoas. Foi preciso que uma menina tivesse o pescoço cortado para que esse ato inconseqüente, antes usado para uma guerra de pipas, merecesse atenção. Felizmente a menina foi hospitalizada e resistiu. Mas terá que levar por um bom tempo a seqüela dessa irresponsabilidade: uma cicatriz no pescoço.
  Confunde-se, neste momento, quem tenta encontrar os verdadeiros responsáveis por uma morte e um ferimento, somente considerando os mais recentes acontecimentos envolvendo o uso de cerol. Seriam os pais, por não terem conscientizados seus filhos sobre o risco de tal brincadeira? Ou, na profundidade da análise sociológica, a sociedade violenta, mau exemplificada com a impunidade, que leva tais garotos a atitudes impensadas?
  Qualquer que seja a resposta, neste momento, num abrandamento do discurso, cabe lembrar aos pais que antes se soltavam pipas nos descampados, onde o trânsito passava longe e as guerras para cortar a linha pouco perigo trazia. Hoje se soltam pipas em bairros movimentados, onde a vida passa de moto, de bicicleta, ou nas flexões das pernas de um menino que corre atrás de uma bola. Que essa comparação seja mostrada pelos pais aos meninos soltadores de pipas, para que uma brincadeira sadia não acabe virando um crime.
Walter Ogama

mockup