Brincadeira é um bom negócio
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de abril de 2003
Agência Estado 
São Paulo O brasileiro gastou em 2002 R$ 1 bilhão em brinquedos. O número é da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), mas poderia chegar, facilmente, ao dobro, sem precisar de mágica ou qualquer brincadeira. Para isso, bastaria incluir o mercado informal dos contrabandeados, artesanais e aqueles feitos até hoje e ludicamente por mãos adultas ou infantis, como pipas, piões e bonecas e bolas de pano ou de meia. Brinquedos que, como diz uma propaganda de cartão de crédito, não têm preço, embora ainda possam ser encontrados a valores extremamente módicos no interior do País.
Do mercado formal de brinquedos, porém, a maior fatia das vendas, de 30%, fica com as bonecas chamadas ''fashion doll'', aquelas com corpo de mulher e muitos acessórios. E quem reina absoluta nessa brincadeira milionária são duas quarentonas, a Barbie, que acaba de soprar 44 velinhas foi lançada em março de 1959 , e a brasileiríssima Susi, que surgiu em 1962.
E o que faz com que duas bonecas cheguem a idade tão avançada praticamente inalteradas, sempre aparentando 17 anos? Para a consultora de moda Constanza Pascolato, pesquisadora do comportamento do consumidor, o segredo da longevidade de Barbie e Susi está justamente na possibilidade que oferecem de trocar de roupas e acessórios, acompanhando as mudanças da sociedade.
''A Barbie é um espelho da cultura imperial dos Estados Unidos do pós-guerra (2 Guerra Mundial). Tem um corpo perfeito, é loira e expressa o ideal de vida que toda menina sonha ou sonhava ter, e conseguiu por um tempo ser símbolo do 'american way of life', mas não se prendeu a esse modelo do início dos anos 60. Virou hippie no final dos mesmos anos 60, ingressou no mercado de trabalho nos 70, vestiu roupa e acessórios de desenhos e lendas antigas e conseguiu ir se adaptando com o passar do tempo, sem perder a característica de ideal de beleza e estilo de vida.''
Quanto à brasileiríssima Susi, ela atribui o sucesso ao fato de ter sido a boneca das mães que hoje têm 40 ou 50 anos. ''Susi tem a mesma versatilidade de Barbie, de guarda-roupa e acessórios, e é mais brasileira, mais 'cheinha' e com cabelos castanhos.''


