Brecha aberta pelo governo
Tivesse o governo federal cumprido o seu papel, não haveria a necessidade do jornal publicar notícia como esta, que ganha as páginas do caderno Folha Cidade desta terça-feira: ''Acusados de golpe do compulsório são presos''. O compulsório, cobrado na bomba de gasolina entre julho de 1986 e outubro de 1988, foi mais uma forma do governo alimentar sua fome arrecadadora a pretexto de solucionar questões emergenciais. Em seu período de vigência, todo o motorista que passou por um posto de combustível para abastecer arcou com este ônus, que já estava embutido no preço do produto.
É claro, naquele momento o contribuinte foi esquecido. Chegou-se a recomendar que ele deveria guardar as notas fiscais fornecidas pelos estabelecimentos, para no futuro se ressarcir. Alguns, mais precavidos, documentaram suas contribuições. Mas a maioria, até por desconfiança de que o compulsório jamais chegasse a ser devolvido, esqueceram o assunto.
Agora, estes mesmos contribuintes recorrem a advogados e pagam pelo serviço para terem o dinheiro de volta, quando o governo, que tomou o dinheiro emprestado, deveria procurar pelos seus credores para saldar suas dívidas. E, além do mais, está sujeito aos golpistas. Como o da reportagem do Folha Cidade, que tentam receber compulsórios de pessoas já falecidas. É a brecha que o próprio governo criou sendo alargada por intermediários e golpistas.
Walter Ogama





