Brasília/ Ruy Fabiano
A presença, desde anteontem, em Brasília, da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, fez renascer no governo a esperança de reabertura de entendimentos com o presidente do Senado, José Sarney. Roseana, defensora da reeleição (que pode beneficiá-la), veio a pedido do presidente Fernando Henrique.
A missão que lhe cabe é espinhosa: cooptar Sarney para a causa da reeleição, levando-o a defender, na contramão dos interesses do PMDB, a votação da emenda em plenário na próxima quarta-feira. O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira, chegou a anunciar como oficial a informação de que a emenda seria votada em primeiro turno naquela data. Causou espanto geral - e a informação não se confirmou.
O senador Íris Resende (PMDB-GO), um dos focos mais agudos da rebeldia peemedebista - disputa a presidênica do Senado com o candidato palaciano Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) - não acreditou. Isso é loucura, resumiu. O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), estava cauteloso: Não é um fato consumado, mas é uma tendência. Ele admite: o governo ainda não tem os votos de que precisa.
Para aprovar a emenda na Câmara, o governo precisa de 308 votos. Inocêncio diz que essa marca já foi alcançada. Arruda desconfia: Para ter certeza dos 308 votos é preciso ir a plenário com uma margem de 340 votos fechados. Como obtê-los num clima de confronto junto ao maior partido da base governista, o PMDB?
Sarney sentiu-se
insultado com o
puxão de orelha que
recebeu do presidente
Roseana foi chamada como saída de emergência, já que seu pai está no centro do conflito. Para ela, uma boa oportunidade de credenciar-se ao papel de negociadora política. Sarney, de fato, agastou-se com Fernando Henrique. Sentiu-se insultado com o puxão de orelha que recebeu do presidente, após a convenção do PMDB de domingo passado. A convenção impôs dois revezes a Fernando Henrique: aprovou moção adiando a votação da emenda para depois da eleição das mesas diretoras de Câmara e Senado e condenou, no mérito, a reeleição.
Essa condenação, de certa forma, foi revogada com a aprovação da emenda na comissão especial, três dias depois, com os votos dos peemedebistas. Foi uma abertura, que Íris Resende qualifica de colher de chá do partido a Fernando Henrique, cuja inabilidade política teria comprometido o processo de negociação.
O partido, no entanto, diz Íris, não vai além disso. Vai honrar a decisão dos convencionais, votando a reeleição apenas depois que forem conhecidos os novos presidentes da Câmara e do Senado, em meados de fevereiro. O governo se empenha ainda numa outra alternativa, improvável: a renúncia de todos os candidatos às presidências de Câmara e Senado e a negociação de novos nomes de consenso. Esqueceram-se de combinar o novo enredo com os candidatos dissidentes - Prisco Viana (Câmara) e Íris (Senado). Eles não topam.





