Brasília (Ruy Fabiano)
O deputado Franco Montoro (PSDB-SP), que acaba de celebrar 81 anos na plenitude de seu vigor intelectual, é uma espécie de oráculo dos tucanos. Ex-praticamente tudo em política - só não foi presidente da República -, coleciona entre suas façanhas a de ter sido a porta de ingresso de Fernando Henrique na vida política.
A primeira disputa eleitoral de Fernando Henrique foi em 1978, para o Senado, pelo MDB. Perdeu para Franco Montoro e ficou na sua suplência. Em 1982, Montoro elegeu-se governador de São Paulo e sua vaga no Senado foi preenchida por Fernando Henrique, que somente então transmutou-se de acadêmico em político profissional.
Montoro está no primeiro plano da política nacional há umas quatro décadas. Já no início dos anos 60, na breve experiência parlamentarista do governo João Goulart (1961-1962), ocupou a pasta do Trabalho. Era então membro do Partido Democrata Cristão, extinto em 1965, pelo Ato Institucional nº 2, do governo Castello Branco.
Na reorganização partidária estabelecida por decreto pelo governo militar, Montoro optou pelo MDB. E tornou-se, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Paulo Brossard, Marcos Freire, entre outros poucos, uma das mais respeitáveis referências à resistência democrática. Alceu Amoroso Lima colocava-o ao lado de Ulysses como as duas maiores expressões parlamentares na luta contra o regime militar.
É de sua autoria a primeira emenda constitucional propondo eleições diretas em todos os níveis, apresentada ainda no governo Geisel. Era a época das derrotas gloriosas - e essa foi uma delas. Como governador de São Paulo, coube-lhe decisiva participação no movimento das diretas-já - mais uma derrota gloriosa, que, no entanto, preparou o terreno para a vitória de Tancredo Neves em 1984.
Com a redemocratização, o PMDB foi-se transformando num partido disforme, cuja única meta parecia ser o usufruto do poder. A predominância do fisiologismo, sobretudo na seção paulista, dominada por Orestes Quércia (seu sucessor no governo de São Paulo), fez com que Montoro começasse a procurar novos rumos, já na Constituinte, em 1988.
Em torno de sua liderança, a porção não fisiológica do PMDB - entre outros, Márcio Covas, Fernando Henrique, Euclides Scalco - começou a articular um novo partido, que tivesse como ideário a social-democracia e como meta a adoção do parlamentarismo. Nascia o PSDB.
Desde então, Montoro tornou-se apóstolo da causa, que está entre as metas programáticas do PSDB. Depois de pequena ausência, elegeu-se deputado em 1994 e está em plena atividade. É mais que uma referência histórica - é a história de calças e sapatos, como diria Nélson Rodrigues, sobretudo agora, quando a idéia parlamentarista volta a sensibilizar lideranças influentes - inclusive a do presidente da República.





