Brasília (Ruy Fabiano)
A menos que o imponderável se manifeste, tem-se como certo que a próxima sucessão presidencial, deflagrada desde a aprovação da reeleição, estará mais uma vez polarizada entre Fernando Henrique e PT. Apesar disso, promete ser bem diferente da anterior. Primeiro porque a esquerda promete marchar unida pela primeira vez em sua história.
Brizola, Arraes e PC do B, que se têm reunido com frequência, prometem aderir à candidatura única, que obviamente será do PT, maior dos partidos de oposição. Lula, claro, é o favorito, mas tem atrás de si o ex-prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro.
O vice poderá sair de um dos partidos coligados. A tese é aceita por Lula e Genro e reivindicada pelos parceiros da coligação, mas será submetida ao encontro nacional do partido, em agosto, no Rio. A ala radical, que desafia o atual presidente, José Dirceu, candidato à reeleição, discorda. Na hipótese de prevalecer esse ponto de vista, fala-se que Tarso poderia ser o vice de Lula.
Na hipótese de prevalecer a idéia de um vice de fora, Lula apoiaria a candidatura de Tarso para o governo do Rio Grande do Sul. Falta apenas combinar com Olívio Dutra, presidente da seccional gaúcha do PT, que quer a mesma coisa. Mas isso é detalhe. Os petistas antevêem complicada queda de braço no encontro de agosto, quando será eleito seu novo presidente nacional. O candidato dos radicais à presidência do partido, o deputado carioca Milton Temer, tem como proposta o seguinte slogan: PT, o partido que diz não.
É exatamente o contrário do slogan proposto pela ex-prefeita Luiza Erundina: PT, o partido que diz sim. Fernando Henrique não poderia sonhar com nada melhor que o slogan de Temer. Seria a garantia antecipada da reeleição. Tarso Genro, que tem recebido apoio dos radicais, mas que está longe de ser um iconoclasta, procura justificar a frase de Temer, dizendo que é mero artifício para provocar aglutinações internas. Não será usada nas ações externas do partido.
Ainda que não o seja, é difícil imaginar que se chegue com facilidade à proposta de Lula e Erundina de promover coligações com lideranças conservadoras. Os moderados do PT acham que o partido precisa tirar proveito das enormes contradições da base política do governo. Citam-se sempre São Paulo e Minas como exemplos.
Em São Paulo, o fator Maluf desestabiliza o PSDB. Políticos como Covas e Serra admitem conversar com o PT, na hipótese de alguma abertura de Fernando Henrique para as bandas malufistas. Não precisa nem haver abertura: basta haver neutralidade.
Em Minas, é o fator Itamar que desestabiliza. Lula, pessoalmente, defende a tese de que o PT se aproxime de Itamar, pelo potencial de desagregação que o ex-presidente leva ao atual governo. Resta ver se, no encontro de agosto, os radicais do partido assimilam o molejo dialético que Lula passou a exibir desde que viu seu reinado ameaçado pela liderança emergente de Tarso Genro.





