Brasília (Ruy Fabiano)
As pressões empresariais sobre o Congresso pelas reformas, saudadas com efusão pelo presidente da República, não superam a contrapressão corporativista e as contradições internas da base parlamentar do governo. Sobretudo estas complicam o processo.
Aprovada a reeleição, precipitou-se o processo eleitoral. Os palanques ainda não estão armados, mas, dentro dos partidos, não se discute outra coisa. A aliança governista - PSDB, PFL, PMDB, PPB e PTB - está longe de desfrutar de qualquer harmonia. Ao contrário, é pau puro. Se não se entende em Brasília, que dirá nos estados.
O recente atrito entre PSDB e Fernando Henrique, motivado por um encontro do presidente com o ex-prefeito de São Paulo, foi uma pálida amostra das contradições que cercam a aliança política governista. Com aliados que não se cumprimentam, fica difícil para o presidente mover-se politicamente. Falar com Maluf resulta em atritar-se com Mário Covas, José Serra, Sérgio Motta etc.
Não falar significa empurrar para a oposição aliados importantes. Em Minas, dá-se o mesmo com Itamar Franco, cujas pretensões de disputar o governo estadual conflitam com as do governador tucano Eduardo Azeredo. Evitá-lo, no entanto, pode significar tê-lo como inimigo na corrida sucessória. Os exemplos não param aí.
No Amazonas, para atender a pressões do PFL e do governador Amazonimo Mendes, Fernando Henrique demitiu o superintendente da Zona Franca, Mauro Costa, indicado pelo secretário-geral do PSDB, Arthur Virgílio Neto. Costa era tido como técnico competente e honesto, mas, indicado pelos tucanos, provocou pressões do PFL. Fernando Henrique tentou não ceder às pressões dos pefelistas, mas acabou cedendo. Resultado: nova briga com os tucanos.
Na Bahia, base de dois dos mais influentes pefelistas - o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, e seu filho e líder do governo na Câmara, Luís Eduardo - , PFL e PSDB são partidos antagônicos e jurados de morte. Não há a mais remota hipótese de uni-los em torno de causas comuns. Mesmo a reeleição de Fernando Henrique corre riscos de não receber apoio tucano na Bahia. Como conciliar o ex-governador Waldir Pires com ACM? Nem os orixás, em ampla e irrestrita coligação, admitem consegui-lo.
É nesse ambiente, de hostilidade e desconfiança mútuas, que o governo espera aprovar as reformas remanescentes - exatamente as mais difíceis: a da Previdência, a administrativa e a fiscal. Além do teor impopular de diversas medidas nelas embutidas - suficiente para afugentar apoios em época em que já se discute eleição -, há o ressentimento dos que se sentem preteridos.
Neste momento (e já de algum tempo para cá), o PSDB deixou de ser o partido do presidente. A ficha de filiação ainda está lá, na seção paulistana, no lugar de sempre. Mas o presidente há muito se orienta pela cartilha do PFL.





