Brasília (Ruy Fabiano)
O desgaste político em que está envolvido o governador de Minas, Eduardo Azeredo, cuja autoridade foi (e continua sendo) desafiada por policiais militares insurrectos, favorece a causa eleitoral do ex-presidente Itamar Franco. Azeredo é o obstáculo entre a candidatura Itamar ao governo de Minas e o apoio do presidente Fernando Henrique.
Azeredo desgastou-se de tal modo que, a menos que algo de excepcionalmente positivo lhe aconteça e reverta o quadro presente (e não há sinais disso no horizonte), suas chances de reeleição são próximas ou abaixo de zero. O governador - é essa a visão de seus próprios correligionários de Minas - não soube enfrentar o desafio da crise.
Diz o ditado que é nas crises que se conhecem os governantes. Muitos atravessam mandatos sem enfrentar situações extremas, que os ponham à prova. Outros, porém, enfrentam num só mandato mais de uma situação-limite. Azeredo já tinha sido posto à prova antes. No início do ano, estava em viagem de férias nos Estados Unidos, quando violento temporal inundou Minas, fazendo numerosas vítimas.
Informado a respeito, o governador achou desnecessário fazer-se presente. Manteve-se em férias e determinou que seu vice tomasse as providências. Administrativamente, pode ter agido conforme a lei. Politicamente, porém, foi primário. Ninguém duvida que sua omissão será lembrada do alto dos palanques pelos adversários.
A rebelião da PM foi muito mais grave. Desafiou-se a autoridade máxima do Estado e nenhuma providência punitiva imediata foi tomada. Os líderes da sublevação, os oficiais incompetentes que conceberam o acordo salarial que excluiu a tropa - ninguém foi chamado às falas. Ao contrário, fez-se acordo, como se se tratasse de manifestação regular de protesto. Não se trata do mérito dos protestos, legítimos em qualquer categoria, mas da forma criminosa com que se materializaram.
Corporação policial não pode usar as armas que recebe do Estado contra o próprio Estado, muito menos em manifestações trabalhistas. O temor federal é de que a fraqueza exibida pelo governador mineiro venha a estimular manifestações análogas em outras partes do país.
O fiasco de Azeredo fortalece a tese sustentada pelo senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), líder do governo no Congresso: de que a candidatura Itamar ao governo de Minas seja patrocinada pelo próprio PSDB, ao qual o ex-presidente teria que se filiar já.
Azeredo iria (na oportunidade em que a proposta foi feita, antes da sublevação da PM mineira) para o Senado. Agora, após aqueles acontecimentos, Azeredo não sabe sequer se vai para algum lugar. Seu prestígio, local e federal, neste momento, é uma mera abstração.
IMPROVáVELO Reage, Câmara é um bem-intencionado movimento suprapartidário de deputados federais que buscam resgatar a credibilidade da instituição, a partir de ações concretas em defesa da cidadania. A primeira reunião do movimento está marcada para esta semana, em Brasília. Teme-se apenas que não haja quórum.





