Brasília - Ruy Fabiano
Mais uma candidatura põe em risco a estabilidade da base governista. Itamar Franco está para os tucanos mineiros assim como Paulo Maluf para os paulistas. Ambos ameaçam a expectativa de reeleição dos atuais governadores de seus respectivos estados - Mário Covas, em São Paulo; Eduardo Azevedo, em Minas.
No caso de Itamar, há complicadores adicionais. Maluf contenta-se com a neutralidade do presidente; Itamar, não: quer apoio explícito, com presença no palanque. Em ambos os casos, há o risco de Fernando Henrique tê-los como adversários na corrida presidencial.
No caso de Maluf, há o temor de que possa dividir a base de alianças do presidente, com forte presença ao centro e à direita. Recente pesquisa de opinião diz que Maluf, mesmo fora do poder e exposto aos desgastes da CPI dos Títulos Públicos, possui 30% das intensões de votos para presidente. São votos que, na sua ausência, migrariam para Fernando Henrique. É um percentual considerável, com o qual Fernando Henrique faz muito bem em se preocupar.
Daí sua disposição em negociar neutralidade em São Paulo. Se Maluf topa ser governador, por que impedí-lo? A neutralidade, pedida por Maluf, em tais circunstâncias, parece preço até razoável. Os tucanos, porém, não pensam assim - sobretudo o mais influente deles, o governador Mário Covas. Querem o engajamento do presidente, o que significa indispor-se não apenas com Maluf, mas com os demais aliados da base governista federal - PMDB e PFL.
Em Minas, a situação é rigorosamente idêntica. Fernando Henrique já confessou que não gostaria de ter Itamar como adversário. Por já ter sido seu ministro, teme a força da intriga e do fuxico, que, com certeza, circularia intensamente durante a campanha.
Em entrevista à Veja desta semana, o ex-presidente Collor, outro que sonha em entrar na disputa (mas que está legalmente impossibilitado de fazê-lo), diagnostica a crise mineira e as alternativas de Fernando Henrique: Ou faz um acordo em Minas e arruma um espaço para ele (Itamar) por lá, ou parte para o ataque e diz que o Itamar, no máximo, é a mãe do Plano Real.
Semana passada, o encontro com Maluf rendeu numerosas dores de cabeça ao presidente. Além das críticas de seus amigos, enfrentou rebelião em plenário dos tucanos contra o líder Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) e espetáculos de retaliação destes com os pefelistas. Se existisse oposição, o governo estaria liquidado. Como não há, dá-se ao luxo de preocupar-se apenas com os próprios aliados.
Até aqui, a única proposta para contornar a crise mineira não chega a ser das mais inspiradas. Partiu do líder do governo no Congresso, senador José Roberto Arruda, e depende da boa vontade do governador Eduardo Azeredo. Por ela, Azeredo renuncia à sua pretensão reeletiva e cede a legenda a Itamar. É o que se chama de generosidade com o chapéu alheio.





