Brasília - Ruy Fabiano
O convite ao deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) para que assuma a liderança e coordenação política do governo destitui na prática o ministro Luís Carlos Santos (PMDB-SP). E formaliza o afastamento do ministro Sérgio Motta do comando político.
Em termos concretos, devolve ao PFL nordestino o comando efetivo das ações políticas do governo. Luís Carlos Santos e Sérgio Motta, paulistas, se inviabilizaram para esta segunda etapa do governo, a que prepara o caminho para a reeleição de Fernando Henrique.
Motta, o verdadeiro articulador político, queimou-se com as denúncias de compra de votos para a reeleição. Luís Carlos Santos, seu coadjuvante, é caudatário de seu fracasso. Luís Eduardo Magalhães tem sido, desde o início do governo, o grande aliado parlamentar de Fernando Henrique. Essa lealdade canina custou-lhe desgastes quando no exercício da presidência da Câmara. Foi acusado de ter transformado o cargo em sucursal do Palácio do Planalto.
O reconhecimento também não lhe faltou: já foi convidado sucessivas vezes para assumir uma cadeira ministerial. O cargo de ministro da Justiça, recém-entregue ao peemedebista Íris Rezende, foi-lhe oferecido reiteradas vezes. Luís Eduardo, no entanto, prefere continuar na Câmara, onde desfruta de grande prestígio e continua a ser o grande aliado do presidente, com quem, segundo se diz, conversa quase que diariamente. Poucos ministros desfrutam desse privilégio.
Seu sucessor na presidência da Casa, Michel Temer, embora se esforce, não conseguiu dar ao governo os mesmos resultados. As reformas, desde a troca de comando na Casa, estão empacadas. O pai de Luís Eduardo, senador Antônio Carlos Magalhães, o estimula a que assuma com unhas e dentes o comando político. Nem tudo são rosas, porém.
É claro que a ascensão de Luís Eduardo gera reações na base parlamentar do governo. Ela afinal consolida o comando pefelista, inaceitável para PSDB e PMDB. Luís Eduardo vê com cautela essas dificuldades, já que seu projeto prioritário é disputar o governo da Bahia ano que vem. Isso o obrigará a internar-se, a partir do final do ano, em viagens sucessivas pelo interior do estado, cujo eleitorado é mais numeroso que o da capital e decide eleições.
O cargo de líder do governo o obriga a permanências mais prolongadas em Brasília e a exposições nem sempre positivas junto à mídia. Mas poder é sempre poder e a pressão paterna dificilmente deixará de prevalecer. ACM vislumbra em Luís Eduardo a complementação de um sonho que não realizou: o de chegar à presidência da República. Nos planos de ACM, Luís Eduardo seria o sucessor de Fernando Henrique em 2002.
Na semana em que o governo pretende deflagrar o mutirão das reformas, Luís Eduardo terá seu batismo de fogo.





