As denúncias de corrupção envolvendo o PT - e mais especificamente a sua figura-símbolo, Lula - tumultuam ainda mais a vida da oposição. O PT, além de maior partido oposicionista, tem no discurso-denúncia, de tom moralizante, sua grande força política.
Se o PT é, hoje, partido-referência da oposição - e não há dúvida de que é -, o motivo, com certeza, não são os planos alternativos de governo, sua performance administrativa ou sua doutrina política, que, a rigor, poucos sabem dizer exatamente qual é.
O segredo é a imagem que passa (ou passava) de integridade e vigilância. Não há CPI, desde a do PC Faria, em que o PT não se destaque como o grande acusador, o partido que investiga e denuncia, o partido sem rabo preso. Não que não tenha havido, em outras oportunidades, denúncias contra o partido. A gestão de Luiza Erundina, em São Paulo, foi marcada por algumas denúncias envolvendo auxiliares seus.
Mas não chegaram a comprometer a aura de intocabilidade de suas figuras-símbolos. No caso de Erundina, segunda personalidade nacional do partido, atrás apenas de Lula, nenhuma das acusações a envolvia diretamente. Como prefeita, cabia-lhe a responsabilidade pela nomeação de auxiliares, mas o desgaste de ações irregulares ficou com quem as praticou. Essa é a diferença entre aquelas denúncias e as de agora.
As atuais partiram do próprio PT, por meio de figura respeitável do partido, o economista Paulo de Tarso Venceslau, ex-secretário de Finanças de duas prefeituras petistas - a de Campinas, na gestão Jacó Bittar, e a de São José dos Campos, na gestão Ângela Guadagnin. E envolvem de maneira direta e implacável o próprio Lula.
Trata-se de típica operação de tráfico de influência e favorecimento a terceiros, nos moldes mais ortodoxos do fisiologismo-coronelista nacional. Lula mora de graça, há oito anos, na casa do empresário Roberto Teixeira, seu compadre. Teixeira é dono da empresa Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM).
Vai daí que Lula está sendo acusado de intemediar contratos lesivos da CPEM com diversas prefeituras geridas pelo PT. Teria usado seu prestígio de líder maior do partido para constranger as administrações petistas a fechar contratos nocivos ao interesse público. Verdade ou mentira? Paulo de Tarso dá nome, cifras, circunstâncias e diálogos aos casos que denuncia. Tudo é muito verossímil.
Como apurar? Bem, se o PT estivesse neste momento do outro lado do balcão (onde habitualmente está), certamente não hesitaria em proferir as três letras mágicas, que se tornaram o abracadabra de sua atuação parlamentar: CPI. Figuras experientes do partido, como José Genoíno e Aloízio Mercadante, já perceberam que não dá para brigar com os fatos. Por isso, lamentam que o partido não tenha dado atenção há mais tempo às denúncias de Tarso e promovido sindicância interna.
Agora, a roupa suja terá inevitavelmente que ser lavada no meio da rua.

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