Brasília - Ruy Fabiano
O PDT, partido de Leonel Brizola, está empenhado em enquadrar o governador do Paraná, Jaime Lerner, em algo que não existe: a lei de fidelidade partidária. Lerner, cortejado pelo PSDB, é a única liderança nacional pedetista, desde que Brizola, lanterninha da eleição presidencial passada, caiu no ostracismo.
Lerner está tendo sua expulsão pedida pelo ex-deputado Luiz Salomão, que vocaliza uma corrente partidária mais à esquerda, que jamais assimilou o prestígio do governador paranaense. Há outra corrente que não apenas apóia Lerner como o quer candidato à Presidência da República. O Diretório Nacional reúne-se nos próximos dias (a data depende do retorno de Brizola do Uruguai) para julgar Lerner.
A legislação é omissa. O partido pode expulsá-lo ou simplesmente adverti-lo, mas não com base em atos de infidelidade. A lei de fidelidade partidária foi revogada de fato na eleição indireta que elegeu Tancredo Neves e Sarney, e de direito no início do governo Sarney, em 1985. Desde então, prevalece o vale-tudo partidário.
No caso de Lerner, a expulsão pretende antecipar-se à sua aparentemente inevitável saída do partido, para, de algum modo, deslustrar sua festa de chegada no PSDB. Lerner, porém, mantém-se enigmático quanto a seu futuro. Não nega o assédio dos tucanos, em nível nacional - e o primeiro deles é exatamente o presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, diante de resistências no PSDB local, que a cúpula nacional promete contornar, prefere silenciar quanto ao futuro.
Cauteloso, pediu um tempo para pensar. A alguns amigos, antecipa que não pensa em se candidatar à Presidência da República agora.
Não lhe passa pela cabeça duelar com Fernando Henrique, seu amigo de longa data, a quem apoiou na eleição passada, não obstante a candidatura de Leonel Brizola, de seu partido.
Entrando no PSDB, Lerner passaria a contar com o apoio de Fernando Henrique para sua reeleição a governador. É um trunfo importante, que praticamente garante sua vitória. Essa a alternativa que lhe atrai neste momento, o que implica sua saída do PDT. Brizola jamais escondeu suas diferenças com Lerner, o único personagem em seu partido capaz de fazer-lhe sombra. Nas eleições passadas, pesquisas de opinião indicavam remotíssimas chances para Brizola. Lerner desaconselhou-o de entrar na disputa, sugerindo que se aliasse a Fernando Henrique.
Brizola não lhe deu ouvidos. Lerner apoiou Fernando Henrique e, com o apoio deste, elegeu-se governador. Desde então as relações entre ambos, que jamais foram exatamente sólidas, tornaram-se mais penosas ainda. Lerner critica a oposição predatória de seu partido e do PT e apóia diversas iniciativas do governo Fernando Henrique, inclusive o programa de privatizações.
É apontado como o nome que o próprio Fernando Henrique estaria preparando para sucedê-lo em 2002. Daí a fúria pedetista.





