O presidente da Indonésia, Joko Widodo, negou o apelo feito pela presidente Dilma Rousseff (PT) em favor dos brasileiros Marco Archer Cardoso Moreira e Rodrigo Muxfeldt Gularte, presos naquele país por tráfico de drogas. Archer, 53 anos, pode ser executado hoje à tarde. Na Indonésia, a pena de morte é aplicada por fuzilamento. A execução de Gularte, 42 anos, paranaense de Curitiba, pode ser aplicada em fevereiro.
O carioca Marco Archer foi preso em 2003 quando tentava entrar na Indonésia com 13,4kg de cocaína escondidos em tubos de uma asa-delta. Quando foi preso, em 2004, Gularte escondia seis quilos de cocaína em pranchas de surfe.
Dilma conversou com o presidente indonésio, por telefone, na manhã de ontem. Widodo, que assumiu o governo em setembro do ano passado, respondeu que não poderia atender ao apelo de Dilma, apesar de compreender a preocupação dela com os cidadãos brasileiros. Segundo Widodo, todos os trâmites jurídicos foram seguidos conforme as leis da Indonésia e ele lembrou a presidente Dilma que os brasileiros tiveram garantido o devido processo legal.
É a segunda vez que o governo brasileiro pede clemência por Archer e Gularte. A primeira foi em 2005 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na conversa telefônica de ontem, Dilma disse que tinha consciência da gravidade dos crimes cometidos pelos dois brasileiros e que respeitava a soberania indonésia e seu sistema jurídico. Mas como chefe de Estado e como mãe fazia esse apelo por razões eminentemente humanitárias. De acordo com as leis da Indonésia, a única forma de reverter uma sentença de morte é o presidente do país aceitar um pedido de clemência. Archer pode ser o primeiro brasileiro executado por crime no exterior.
Cada vez menos países utilizam a pena de morte. Hoje são 57 ao redor do mundo. O problema é que a Indonésia segue na contramão dessa tendência com o seu novo presidente Joko Widodo dando sinais que pretende usar a execução dos condenados como uma forma de mostrar ao mundo que combate duramente o tráfico de drogas. Sobre pena de morte, um dado importante pede reflexão: uma pesquisa da Universidade de Michigan indica que um a cada 25 condenados à morte nos Estados Unidos é inocente.

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