Brasileiros na Itália
Brasileiros na Itália
Maria Josefa Rafart de Seras
O ministro Rafael Greca foi a Firenze com uma troupe de baianas para ninguém pôr defeito. Acarajé, vatapá, brancas saias rodadas e muita música de berimbau atraíram a atenção dos europeus para nosso folclore. Com a verve que todos os paranaenses já conhecem, ele deixou atônito o repórter da RAI que o entrevistava, que apenas conseguiu fazer-lhe uma pergunta a primeira. Seguiu-se uma cascata de informações dadas pelo ministro do Esporte e do Turismo sobre o Brasil, que passaram pelos 500 anos do descobrimento, a coincidência de ser Américo Vespúcio nascido em Florença e a nova novela sobre a imigração italiana (com direito a minitrailer da novela em cadeia nacional).
OK ao senhor ministro pela publicidade positiva de nossa terra. OK pelo conteúdo do programa veiculado pela mesma RAI há três meses, mostrando meninas que se prostituíam em Fortaleza. Uma delas, com 11 anos de idade, contava com desenvoltura que coisas fazia com os turistas estrangeiros num recanto escuro da praia. O nosso ministro faz muito bem em veicular uma imagem mais positiva do Brasil; resta, porém, resolver efetivamente o problema da roupa a ser lavada em casa. Mais vigilância aos direitos dos menores de ter uma vida digna e longe de sevícias por miséria.
Na Itália, o Brasil é conhecido exportador de novelas e de jogadores de futebol. O mais famoso produto made in Brazil, Ronaldo, surpreendeu também a imprensa italiana com a notícia da gravidez da namorada Milene. Porém de forma discreta, pois o jogador anda em baixa com os tifosi italianos, desde que exibe uma campanha medíocre em campo. Os torcedores o criticam pela vida pública intensa, que pretensamente estaria prejudicando o seu desempenho no futebol. De Susana Werner (Ronaldinha, para os italianos), não se ouve mais falar por aqui. Pelo jeito, os italianos preferem mais a vida de jogador de Ronaldo do que as suas mazelas sentimentais.
O mais sério candidato brasileiro a desbancar Ronaldo no coração dos italianos parece ser Rubens Barrichello. Diferentemente do que no Brasil, a torcida aqui é pela squadra, no caso pela Ferrari, e não pela nacionalidade dos pilotos (se bem que só tivemos oportunidade de fazê-lo nos saudosos tempos da Copersúcar de Fittipaldi, e olha lá, porque ela nunca vencia).
Pontos positivos de Barrichello também com relação a Schumacher: o alemão até agora não fala italiano. Neste ano começou arranhar um pouco nas entrevistas, mas elas são dadas até agora em inglês. Os italianos consideram isso uma atitude pedante. Rubinho já viveu na Itália, e desde as primeiras negociações com a Ferrari, dá entrevistas em italiano, além de ser sempre simpático e acessível. Ele está certo. Já não basta o ninho de cobras em que vai se meter, pelo menos que garanta o carinho da torcida.
- MARIA JOSEFA RAFART DE SERAS é escritora paranaense radicada em Vicenza (Itália)





